segunda-feira, 17 de julho de 2017

Parábolas: a Criação e as Nossas Atividades Corriqueiras Revelam Deus


A opção de Jesus de ensinar utilizando-se do método parabólico é inspirada no mesmo método pelo qual se revelou para a humanidade. Para que pudesse ser conhecido por nós ele se revestiu ou assumiu a nossa humanidade e viveu entre nós. A sua Divindade foi revelada na sua Humanidade e a sua glória foi revestida por seu corpo humano. Deste modo o desconhecido pôde ser apreendido pelo conhecido, e as coisas celestiais manifestadas nas coisas terrenas - Deus se fez humano.
O mesmo vai ocorrer com o ensino de Cristo: o invisível será ilustrado pelas coisas visíveis e as verdades divinas serão disponibilizadas a todos através dos fatos corriqueiros da vida comum das pessoas de seus dias. A Escritura nos diz que “Jesus falou todas estas coisas à multidão por parábolas. Nada lhes dizia sem usar alguma parábola, cumprindo-se, assim, o que fora dito pelo profeta: Abrirei minha boca em parábolas, proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo” (Mateus 13.34,35). Ele usou as cenas da natureza e da vida comum de seus ouvintes para ilustrar verdades espirituais contidas nas Escrituras (AT). Na medida em que Jesus vincula os reinos animal e natural para ilustrar o mundo espiritual, seus ensinos parabólicos tornam-se um elo que une o homem a Deus, e a terra ao céu.
Ao tomar suas parábolas da natureza, Jesus estava usando coisas que ele próprio tinha criado e nos quais tinha manifestado a sua criatividade e poder. Na sua perfeição inicial toda a criação foi expressão do pensamento de Deus. Adão e Eva não tiveram qualquer problema em compreender Deus manifestado na Criação. A relação deles com Deus se dava de forma natural e direta sem a necessidade de qualquer explicação, assim como um bebe se relaciona com seus pais mesmo antes de aprender a falar.
Tudo começa a se complicar a partir da transgressão (pecado). Tudo que era claro tornou-se opaco e a relação que era de intimidade e companheirismo tornou-se distante e de inimizade. A natureza que até então manifestava claramente a bondade e vontade de Deus, torna-se agora um mistério a ser desvendado e um código a ser decifrado. A natureza que era uma expressão clara de Deus agora precisa ser estudada e explicada para se aperceber a presença de Deus, pois a comunicação direta foi rompida.
Todavia, como afirma o salmista, a criação (natureza) continua sendo uma poderosa expressão de Deus, ainda que o ser humano necessite de auxilio para poder ver e compreender está verdade. Como o apóstolo Paulo explica aos crentes em Roma em sua estultícia o ser humano ao contemplar a natureza enxerga somente a si mesmo e por está razão “honraram e serviram mais a criatura do que o próprio Criador” (Rm 1.21-25).
Através de suas Parábolas Jesus pedagogicamente se utiliza da natureza para explicar as realidades espirituais, que para Adão e Eva era legível, mas para a geração decaída tornou-se ilegível. Em e através de seus ensinamentos (revelação) Cristo resgata o valor da Criação como manifestação da glória de Deus. “Considerem os lírios do campo: eles não trabalham nem ceifam, contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, será que ele não os vestirá muito mais, pessoas de pouca fé?"(Mt 6.28-30). E depois de mais algumas ilustrações tiradas da natureza Jesus conclui: “Buscai primeiro o Reino e a justiça de Deus; e todas estas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt 6.33).
Na primeira parte do seu ministério, Jesus fala da forma mais clara possível de modo que todos os seus ouvintes poderiam vir a compreender a verdade de Deus que os conduziria à salvação, todavia, por causa da dureza de seus corações passou a lhes falar por meio de Parábolas: “...para que vendo não vêem e ouvindo não ouçam, pois o coração desse povo está embrutecido, tampam os ouvidos e fecham os olhos” (Mt 13.13-15).
O método pedagógico de ensinar por Parábolas era para despertar a curiosidade de seus ouvintes e o genuíno interesse em compreender o que estava sendo ensinado. Esse método de ensino era popular e Jesus conseguiu atrair atenção das pessoas. E a todos aqueles que verdadeiramente desejam compreender sua mensagem Jesus sempre estava disposto a explicar as verdades contidas em suas Parábolas.
Outra razão pela qual Jesus ensina por Parábolas era que as pessoas não estavam preparadas para receber ou mesmo entender sua mensagem salvífica. Retirando da natureza e das cenas cotidianas das pessoas as ilustrações de seus ensinos Jesus facilitava a comunicação e o entendimento por parte delas. Posteriormente seus discípulos e todas as pessoas que ouviram suas Parábolas lembravam-se com mais facilidade de seus ensinos e de sua mensagem expressada através destas pequenas ilustrações cotidianas e naturais com as quais interagiam. Evidentemente que a partir do momento em que o Espírito Santo abria as mentes e corações todos os ensinos de Jesus tornaram-se cada vez mais claros e mais facilmente apreendidos por todos os que criam.
Ainda outra razão para utilizar o método parabólico era o fato de que Jesus desejava alcançar todos os corações indistintamente. Com seu caleidoscópio de ilustrações, ele não apenas expunha a verdade em seus vários aspectos, como também as adaptava às diferentes categorias de ouvintes. Tanto as pessoas mais simples e sem instrução formal ou os mais sábios e letrados dentre todos, podiam compreender igualmente a ilustração utilizada por Jesus, pois eram extraídas da natureza comum a todos.
Outro motivo pelo qual Jesus passou a ensinar por Parábolas era de que seus mais diversos inimigos: sacerdotes, rabinos, escribas e fariseus, saduceus e herodianos, zelotes fanáticos e toda sorte de pessoas ambiciosas, permeavam as multidões que vinham para ouvi-lo. Mas a razão que os trazia ali era uma só: encontrar em suas palavras uma razão se quer para prendê-lo e mata-lo. Tendo consciência desse fato Jesus em nenhum momento deixa de ensinar toda a verdade de Deus e de comunicar toda a mensagem de Deus – em suas Parábolas Jesus censura a hipocrisia e maldade inerente de seus corações pervertidos; sob a linguagem da natureza e do cotidiano as verdades espirituais são expostas de forma contundente; mas em nenhum momento aqueles adversários encontravam qualquer razão para acusa-lo diante do Sinédrio ou das autoridades romanas, e por está razão tiveram que utilizar-se do subterfugio da traição e da falsidade ideológica para mata-lo.   
Ao mesmo tempo em que Jesus escapava das armadilhas ardilosas de seus inimigos, ele comunicava a verdade e desmascarava o erro, de modo que os corações preparados (boa terra) recebiam a mensagem (semente) com bom grado e nos quais germinava e frutificava. Jesus usava de forma abundante a natureza para comunicar a sabedoria e bondade de Deus, e Paulo compreendeu isso: “As perfeições do Deus invisível, o seu eterno poder e divindade claramente se entendem, e claramente se veem pelas coisas que foram criadas [quando consideram como funcionam]” (Rm 1.20).
Os ensinos de Jesus são sempre concretos e não filosóficos. Elas não estimulam as especulações tão apreciadas pela curiosidade e ambição humana, pois seu propósito e comunicar as verdades espirituais às mentes naturais. Ele não oferece teorias a respeito de Deus, mas suas Parábolas e ensinos são instrumentos para possibilitar ao ser humano conhecer e se relacionar com Deus. Todo o ensino de Jesus trata sobre verdades concretas e consequências eternas.
Jesus expõe os princípios estabelecidos na Torá hebraica conforme recomendado em Deuteronômio (7.7-9). Os israelitas deveriam ser os luzeiros do mundo, irradiando o conhecimento de Deus e seu propósito salvifico, mas eles se voltaram para si mesmos e Jesus vem para corrigir esse equivoco. E a sua lousa ou tela são a própria criação. Ele nasceu e cresceu entre colinas e vales, sua vida familiar e religiosa são permeadas pela Palavra e Criação de Deus. Seu ministério itinerante é feito às margens do lago da Galileia, nas encostas das colinas, caminhando nos campos ou entre jardins, de onde extrai suas ilustrações.
Para Jesus a criação comunicava permanentemente seu Autor. A natureza torna-se juntamente com as Escrituras o manual necessário para tornar Deus conhecido pelos seres humanos. Na ação do Espírito Santo a mente humana é renovada e capacitada para ler, compreender e apreender de Deus não apenas nas Escrituras, mas também na própria criação. As teologias teóricas e especulativas, revestidas de ciência e filosofia, acabam incapacitando as pessoas de contemplarem a Deus. Uma comunhão e conhecimento genuíno de Deus somente podem ser alcançados na redescoberta da criação como fonte pedagógica e didática – o cristianismo e a criação revelam um único Deus.
Assim como Deus havia estabelecido o Sábado para que os israelitas como um memorial de Seu poder criador de maneira que eles pudessem contempla-lo, Jesus retoma esse principio através de suas Parábolas. Ele coloca seus ouvintes em contato permanente com a multiformidade da criação com seus campos, jardins, estrelas, prados e flores. Mas ele amplia o arco e incorpora também os demais dias da semana - o agricultor e o semeador – que em suas atividades diárias ensinam a forma como a graça de Deus alcança os corações humanos. Assim, todas e quaisquer atividades humanas são capazes de manifestar a bondade e o amor de Deus de maneira que se faz presente em todos os momentos da vida humana e não somente em um lugar especifico no tempo formal de um culto. Nossas ocupações diárias não são desculpas para nos esquecermos de Deus, pois elas continuamente nos fazem lembrar nosso Criador e Salvador. Até mesmo a perda de uma moeda é útil para revelar o amor persistente de Deus em favor do pecador. Ou mesmo uma única moeda de uma viúva pobre é capaz de revelar uma fé singela e despojada de hipocrisia.
Quando estudamos as Parábolas de Jesus somos habilitados a compreendermos as verdades de Deus e do Reino em todas as coisas, das mais complexas às mais simples. Podemos aperceber Deus em todas as nossas atividades corriqueiras; ampliamos a nossa comunhão de Deus de maneira que Ele se faz presente em todo o tempo e o tempo todo em nossas vidas, transcendendo os momentos e lugares específicos para cultos. Em suas Parábolas Jesus nos ensina que podemos apreender de Deus e de Seu Reino em e através de todas as coisas criadas e em todas nossas atividades humanas.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/


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Referências Bibliográficas
ANDERSON, Ana Flora e GORGULHO, Gilberto. Parábolas: a palavra que liberta. São Paulo: Artcolor, 2000.
BAILEY, Kenneth. As Parábolas de Lucas. São Paulo: Vida Nova, ????
CABRAL, Elienai. Todas as Parábolas de Jesus. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
CERFAUX, Mons. L. O tesouro das parábolas. São Paulo: Paulinas, 1974.
DODD, C. H. Las parabolas del Reino. Madrid: Edciones Cristiandad, 1965. São Paulo:
Paulinas, 1982. DUPONT, Jacques. O método das parábolas de Jesus hoje. São Paulo: Edições Paulinas, 1985.
GOURGUES, Michel. Parábolas de Jesus em Marcos e Mateus. São Paulo: Loyola. 2006.
JEREMIAS, Joachim. As parábolas de Jesus. São Paulo: Paulus, 2007.
MACARTHUR, John. As parábolas de Jesus comentadas por John Macarthur. São Paulo: Thomas Nelson, 2016.
MIRANDA, Osmundo Afonso. Introdução ao estudo das parábolas. São Paulo:
 Aste, 1984.
PLOEG, J. P. M. van der. Jesus nos fala: as parábolas e alegorias dos quatro evangelhos. São Paulo: Paulinas, 1999.
SANT’ANA, Marco Antônio Domingues. O gênero da parábola. São Paulo: Unesp, 2010.
SCHOTTROFF, Luise. As Parábolas de Jesus: Uma nova hermenêutica. São Leopoldo: Sinodal, 2007.
SNODGRASS, Klyne. Compreendendo todas as parábolas de Jesus – guia completo. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Síntese da História de Israel e Judá

Período Pré-monárquico
            Após a liderança de Josué, quando os israelitas ocuparam a terra de Canaã, houve um longo período em que cada uma das doze tribos tinha plena autonomia e seus próprios líderes, “... tomando as suas próprias decisões políticas, militares e religiosas” (FOHRER, 1982, p. 111). Somente quando um inimigo comum ameaçava o bem-estar e segurança deles, surgia um líder regional, denominado de Juiz,[1] para liderar as tribos afligidas até que o inimigo fosse derrotado e expulso. As informações sobre esse período histórico de Israel estão registradas no livro denominado de Juízes.[2]
            É complicado encontrar uma cronologia harmoniosa deste período dos juízes israelitas, que fica entorno dos 320 anos.[3] Ao redor das doze tribos encontraremos diversos povos: os arameus, os moabitas, os filisteus, os cananeus, os midianitas e os amonitas, que periodicamente invadiam seus territórios trazendo toda sorte de dificuldades e opressões. A narrativa bíblica dá mais atenção para alguns do que para outros; entre os mais destacados temos Otniel, Eúd, Samgar, Gideão, Jefté, Abimelec, Sansão e Débora, como única representante feminina.[4]
            Eles eram suscitados pelo próprio Deus (Jz 2.16) e às vezes chamados também de “salvadores” ou “libertadores” (Jz 3.9, 15). Em alguns casos eles exerceram a função de governadores, o que não destoa do sentido da palavra “sapat” que além de “julgar” traz também a ideia de “governar”. Mas as ações dos juízes, além de expulsar os inimigos, tinham como objetivo trazer os israelitas de volta aos padrões da Aliança e afasta-los das armadilhas da idolatria que os assediava constantemente.
            O último dos juízes foi Samuel (1 Sm 1-9; cf. At 13.20).[5] Ele também exerceu as funções de Sacerdote e Profeta por um longo período. A relevância de sua história está no fato de que mesmo contrariado ele ungiu o primeiro rei de Israel, o benjamita Saul, demarcando assim o novo ciclo da história israelita dos reis.
O Reino Unido
            Esse período, curto, inicia-se a partir do momento em que Samuel ungiu, sob a direção de Deus, Saul como primeiro rei de Israel[6] e estende-se até a morte de Salomão.
            Apesar de sua unção como rei ser um desejo das tribos e de ocorrer de forma pública, Saul não conseguiu de fato unificar a doze tribos. Seus feitos bélicos foram positivos, todavia suas continuas desobediências em relação à vontade de Deus, sob a orientação de Samuel, lhe custaram muito caro, pois Deus ordena ao sacerdote/profeta que faça a unção sobre Davi, ainda muito jovem, para ser o novo rei de Israel, colocando assim um ponto final na linhagem real de Saul. O jovem Davi respeitou o rei Saul até a morte deste.
É com Davi que finalmente as doze tribos serão unificadas dando forma ao reino israelita. Diferentemente de Saul, apesar de inúmeros tropeços, Davi sempre se submeteu e se humilhou diante da vontade de Deus. Com sua liderança a nação expandiu seus territórios e venceu seus inimigos mais ferrenhos, adquirindo o prestígio e o respeito deles. Ao conquistar e estabelecer Jerusalém, que geograficamente está localizado entre a divisão natural das tribos ao norte e das tribos ao sul, como centro religioso-político de seu reinado, Davi inteligentemente criava um elo permanente de ligação entre os nortistas e sulistas, minimizando assim suas diferenças históricas.
Após a morte de Davi, pela primeira vez há uma sucessão dinástica no reino de Israel, com a ascensão de Salomão. A estratégia menos bélica e mais diplomática de Salomão implementou uma teia de alianças com os mais variados povos e nações. Do ponto de vista político-econômico foi um grande sucesso, todavia, religiosamente trouxe enormes problemas para a nação, que repercutira por todo o restante de sua história. Na medida em que se casava com as princesas destes reinos, elas vinham para Jerusalém com seus costumes, religiões e deuses, de maneira que Jerusalém vai se transformando em uma cidade sincretista. Nesta convivência plurirreligiosa oficiosa a população israelita acabou assimilando as outras expressões religiosas, que em termos de atrativos e licenciosidade eram muito mais interessantes do que a religião oficial javista, com seu calendário fixo de festas e suas leis morais inibidoras do comportamento libidinoso tão patente nas demais religiões.  Além de promover a promiscuidade religiosa Salomão infligiu sobre os seus súditos um peso excessivo de impostos e leis que os tornavam muito próximos de um sistema escravagista, o que foi fomentando uma grande revolta na população, principalmente dos que estavam ao norte, pois os ao sul, pela proximidade com o poder, acabavam tendo privilégios e mordomias (como diria o velho Salomão “não há nada de novo debaixo do sol”).
Com a morte de Salomão assume o trono seu filho Roboão. Acharcados de todas as formas pelo reinado de Salomão, as lideranças tribais solicitam uma audiência com o novo e jovem rei, onde expressam suas dificuldades e solicitam que as políticas econômicas sejam amenizadas. Orientado pelos velhos conselheiros de seu pai, para que atendesse a solicitação das tribos, o jovem e arrogante Roboão opta por fazer uma demonstração de autoritarismo e poder – resultando na divisão do reino, ficando ao norte as dez tribos e meia e ao sul apenas a tribo de Judá e a meia tribo de Benjamim. Desta forma por apenas um curtíssimo período o reino de Israel permaneceu unificado, iniciando um último período pouco mais alongado de reinados divididos, até a derrocada final com os diversos cativeiros que advirão.
Os Reinos Divididos
            Por um período aproximado de duzentos anos os dois reinos coexistiram. No lado ao norte, com o nome de Israel e a capital posteriormente estabelecida em Samaria, ficaram as dez tribos e meia. No outro lado ao sul, o reino assume o nome da tribo de Judá, ainda que continha a metade da tribo dos benjamitas, mantendo a capital Jerusalém, assim como o Templo planejado por Davi e construído por Salomão, símbolo maior da religião javista.
            A convivência dos dois reinos alternou período de pacificação com período de guerras sanguinolento. O reino ao norte foi o primeiro a cair, aproximadamente em 722 a.C. foram invadidos pelos Assírios e os moradores de Samaria e demais cidades foram transplantados para outros lugares e estrangeiros foram trazidos para habitarem no território israelita. O reino de Judá persistiu até aproximadamente 587 a.C., quando não resistindo à invasão de Nabucodonosor, que em uma última investida destrói a cidade de Jerusalém e seu precioso Templo, arrastando um número expressivo de judeus para as regiões da Babilônia onde permaneceriam por um período de setenta anos, preanunciado através de seus profetas.
Síntese Panorâmica do Reino de Israel (Norte)
            O Reino de Israel tem uma história extremamente conturbada, principalmente por não haver uma continuidade dinástica, de maneira que as sucessões ao trono foram periodicamente marcadas pela violência.
            Em relação ao reino vizinho eles possuíam um território muito maior, com uma população que lhe proporcionava um exército numeroso e também economicamente mais forte, pois detinham as principais vias por ondem passavam as riquezas comerciais. Todavia ficaram privados do centro cultual, o Templo em Jerusalém e também pela posição geográfica estratégica eram sempre alvos primários dos Impérios que precisavam controlar a região para avançar ou consolidar seu poder.
Em sua existência histórica os israelitas tiveram ao menos quatro dinastias diferentes sucedendo ao trono: 1ª Dinastia: Casa de Jeroboão (931- (931-909 a.C.); 2ª Dinastia: Casa de Baasa (909-885 a.C.); 3ª Dinastia: Casa de Onri (885-841 a.C.) e última a 4ª Dinastia: Casa de Jeú (841-753 a.C.).
            Politicamente o reino do Norte foi permanentemente instável, de maneira que em seus 209 anos de existência tiveram vinte reis, perfazendo uma média de dez anos por rei, mas com alguns por um ano e até menos tempo. Não faltam traições e conspirações entre a queda de um rei e sucessão do próximo.
            Religiosamente privados do Templo de Jerusalém construíram para si ao menos dois centros cúlticos em Betel e , posteriormente foi construído um Templo no monte Gerezim na então capital Samaria. Nos dois primeiros santuários foram confeccionados dois bezerros de ouro e estabelecidos sacerdotes que não eram da linhagem levita. Desde cedo demostraram facilidade em assimilar a influência e prática das religiões com as quais mantinham contato e que desde os dias de Salomão lhes eram familiares, sendo a religião de Baal a mais marcante entre todas.
            Diversos profetas levantaram-se periodicamente prenunciando o fim do reino de Israel se permanecessem na mesma trajetória do sincretismo religioso e promiscuo que estavam vivendo. Todavia, em raríssimos e curtíssimos momentos os reis e moradores do Norte deram ouvidos às mensagens dos profetas, de maneira que o tempo do fim chega através do Império Assírio.
O rei assírio Salmaneser, depois de conquistar completamente o território israelita, deixa como seu rei-vassalo Oséias, poupando tanto a capital Samaria assim como a sua população. Entretanto, logo fica sabendo que Oséias esta conspirando com o rei do Egito para tentar libertar Israel do domínio assírio e que também já não paga os tributos como antes. Afrontado pelo comportamento de seu vassalo israelita Salmaneser, em 722 a.C., traz uma vez mais seus exércitos e desta vez destrói a cidade, leva preso o rei Oséias, e transplanta cativo para Assíria todo o povo, fazendo os israelitas habitarem em Hala e em Habor, junto ao rio Gozã, e nas cidades dos medos (cf. II Rs.17.3-6 - II Rs.18.9-12). Trouxe em lugar dos que levara (cf. 2 Rs 17.24) povos da Babilônia, para habitar a Samaria. Entre os povos relacionados no texto bíblico, gente de “Cuta, de Ava, de Hamate e Sefarvaim”, dos quais convém destacar os de Cuta.[7]
Aproximadamente 208 anos após a divisão do Reino Unido, termina a História dos reis de Israel, desde quando estes decidiram se separar da casa de Davi e andar longe dos caminhos do Senhor.
Assim o reino Norte foi para o cativeiro, não foi pelas iniquidades de Oséias; o copo das iniquidades de Israel vinha-se enchendo havia séculos. Os pecados de Oséias foram a última gota que fez transbordar. (Comentário do Dicionário John D. Davis).
Síntese Panorâmica do Reino de Judá (Sul)
            Territorialmente o reino de Judá ficou diminuído, visto ter além deles apenas a meia tribo de Benjamim. Seus limites territoriais eram com o mar Morto, com as zonas desérticas e com os povos nômades, com exceção dos filisteus. Somente posteriormente conseguiram conquistar e controlar a via comercial que ligava o Negueve do Mediterrâneo ao Golfo de Aquaba, proporcionando a eles uma alternativa para sair do isolamento comercial que viviam.
            Politicamente sempre foi mais estável que seus vizinhos do Norte devido a manutenção da dinastia davídica, que tornavam as sucessões ao trono menos traumáticas e virulentas. Há diversos reinados que ultrapassam o período dos vinte anos, proporcionando períodos mais longos de estabilidade política. Manteve a capital política em Jerusalém.
            Religiosamente o reino de Judá também foi mais estável, pois além de manter o Templo de Jerusalém, maior símbolo da religião javista, manteve a dinastia sacerdotal levítica. Soma-se ainda o fato de que sua população era homogénea, possibilitando a manutenção de suas tradições religiosas e populares, sem tanta pressão estrangeira como ocorrida no reino vizinho do Norte. Seus grandes inimigos eram o reino vizinho de Edom e posteriormente o Império Babilônico. Manteve sua plena autonomia até 586 a.C.
            Apesar de todos os alertas pronunciados por diversos profetas para que se arrependessem e voltassem unicamente para o culto a Javé, alguns como Jeremias por longos quarenta anos, e mesmo assistindo a derroca total do vizinho reino de Israel, os reis e moradores de Judá escolheram se fazerem de surdos e cegos. O Império Assírio havia sucumbido diante do poderio babilônico.
            De forma arrogante, fazendo-se de surdo às orientações do profeta Jeremias e fiados em um apoio advindo do Egito, que nunca se realizou, o rei Jeoiaquim [Eliaquim][8](608-598) se indispõe com o poderoso império Babilônico[9] e o resultado é a primeira invasão de Jerusalém pelas tropas babilônicas em 606 a.C. (cf. Daniel 1.1-2; II Crônicas 36.6 e 7), que nessa ocasião apenas saqueiam parte dos utensílios do Templo e levam consigo jovens príncipes de Judá para serem preparados para governar no império, entre eles o jovem Daniel e seus amigos (Dn 1.1-6).[10]
            Em Jerusalém, Nabucodonosor compeliu o rei judaico Jeoiaquim a renunciar ao tratado com o Egito e a assinar um termo de compromisso com Babilônia. Mas a lição não foi apreendida e Jeoiaquim, inflamado por sua corte descontente com o jugo pesado babilônico, mais uma vez se revoltam contra sua suserana, deixando de pagar os tributos devidos, de maneira que Nabucodonosor marcha uma vez para Jerusalém (597 a.C.).
            Entretanto, antes que os exércitos babilônios cercassem a cidade, o rei Jeoiaquim morre, provavelmente assassinado por seus próprios súditos em ação de desespero para aplacar a ira de Nabucodonosor. De maneira que, a fatura foi paga por Joaquim [Jeconias] que herdara o trono apenas três meses antes e viu os babilônios despojando totalmente o Templo dos seus tesouros, o próprio rei e sua família acabaram sendo levados, assim como a elite judaica, incluindo artesões e soldados, sendo um número de dez mil conduzidos à deportação.[11] Permanecendo apenas o povo pobre da terra (cf. II Reis 24.8-16).  
Em seu lugar assume por imposição de Nabucodozor o ambíguo Matanias, cujo nome foi modificado para Zedequias. Ele não conseguiu o respeito da população que ficara, pois havia sido colocado no trono por Nabucodozor e estava acossado continuamente pelos antibabilônicos para que se aliasse novamente ao Egito contra Nabucodonosor; uma vez mais entra em cena o profeta Jeremias que alerta para a estupidez de se voltar contra o jugo babilônico, mas suas palavras caíram em ouvidos mocos e ainda foi classificado como traidor e aliado dos dominadores.[12] O fim do reino de Judá está chegando rapidamente.
Pela terceira e última vez a cidade se vê cercada pelo exército babilônio (586 a.C.) que após quase dois anos de sítio entra na cidade e diferente da vez anterior, deixam o magnifico Templo construído por Salomão e a própria cidade de Jerusalém com suas imensas e fortificadas muralhas reduzidas a cinzas e a montões de ruínas (cf. II Reis 25.8-9 e II Crônicas 36.17-21).
O fraco e titubeante rei Zadequias tentou fugir com seus familiares e a guarda de elite à noite, mas foram capturados na planície de Jericó e trazidos à presença de Nabucodonosor em sua sede militar em Ribla, ao norte de Damasco. Sua sentença foi de uma crueldade insana, pois teve que ver um a um de seus filhos serem mortos e em seguida foram vazados seus olhos e levado acorrentado para a Babilônia onde ficou até morrer. Os que não morreram pela espada foram deportados para a Babilônia.[13]
Ficaram na terra devastada apenas os camponeses pobres e sem condições de se organizarem para criarem problemas à Babilônia (2 Rs 25.12; Jr 52.16). A região de Judá tem uma ocupação militar permanente; perde toda sua autonomia política passando a ser tão somente uma província e finalmente foi anexada à província de Samaria; ocorreu um assentamento de uma elite estrangeira em substituição a elite nativa deportada (DONNER, 1997, p. 343).
Com a destruição de Judá o trono de Davi nunca mais foi ocupado por um de seus descendentes, até que Jesus Cristo o reivindica, como cumprimento das profecias messiânicas, conforme registro evangélicos.
Esta derradeira deportação de 587/6 demarca uma nova e profunda transformação na forma de ser dos judeus, que somente por um brevíssimo tempo nos dias dos macabeus, já no governo do império romano, haverão de experimentar um gostinho de autonomia nacional, mas que uma vez mais terminará em tragédia. Mesmo depois do edito de Ciro, rei da Pérsia, em 538 a.C., que assinala o início do retorno dos exilados, a nação judaica passara de mãos em mãos dos grandes impérios e seus projetos de expansão e domínio.
            Este desterro babilônico, que muitos datam em 605 a.C., perdurou por setenta anos, cumprindo a profecia de Jeremias (29.10), foi uma dura e disciplinar escola para os judeus, e eles jamais serão os mesmos, pois também demarca a reestruturação e consolidação do judaísmo enquanto religião e identidade nacionalista. A partir deste cativeiro babilônico os judeus começam um processo continuo de se espalharem por todos os lugares, conhecido também como movimento da Diáspora judaica, de maneira que os mais variados historiadores registram que em todos os lugares da terra podiam ser encontrados judeus.
Mudanças Significativas a Partir do Cativeiro e Diáspora
            O judaísmo tornou-se uma forma de se protegerem contra a idolatria dos demais povos. A lembrança dolorida das mensagens proféticas de que seriam castigados com o desterro por causa da idolatria os levariam a rejeitar radicalmente o contato com outras religiões.
            Se inicialmente o cativeiro produziu um desencanto com a religião javista, na medida em que o tempo passa e as mensagens proféticas vão sendo resgatadas, percebe-se cada vez mais nitidamente que todas elas se cumpriram explicitamente: a total destruição de Jerusalém (Jeremias e Ezequiel); a posterior queda da poderosa Babilônia e a libertação dos judeus pelo persa Ciro (Isaías), e as muitas mensagens do reino messiânico (Isaias) aqueceram os corações e as esperanças patrióticas dos exilados e dispersos.
            Destituídos do símbolo maior de sua religião, o Templo, encontram na Torá e na Sinagoga a forma de manterem e expressarem sua fé. Cresce entre eles o zelo pelas leis mosaicas, a observância do sábado, e todas as cerimônias religiosas permitidas pelo governo babilônico. Cristalizou-se entre eles que o cativeiro fora um castigo de Deus por terem se afastado dele (cf. Esdras 5.12). A Sinagoga torna-se cada vez mais o centro de culto e estudo das Escrituras, ocupando o lugar do Templo. Não era permitido oferecer sacrifícios, como no Templo, mas o profeta Ezequiel “ensinou os judeus do exílio [diáspora] a substituir as cerimônias do templo com oração, confissão e estudo. Este foi o começo do sistema da sinagoga o qual serviu também como uma preparação para as igrejas cristãs” (HOFF, 1996, p. 274).
            Este novo zelo pelos aspectos religiosos da vida levou a um apresso cada vez maior aos textos bíblicos. Torna-se necessário estabelecer um cânon, pois proliferam toda sorte de textos “sagrados”. Uma seleção de literatura sacra começa a ser realizada a partir dos livros de Moisés (Pentateuco) e dos escritos históricos e das mensagens dos profetas.
            Outro aspecto relevante é que a religião se torna cada vez mais individual e menos nacional. Sem a presença do Templo a fé torna-se uma expressão individual e principalmente os profetas do exílio Jeremias e Ezequiel referem-se ao Novo Pacto e/ou Aliança onde cada “crente” poderia estabelecer sua comunhão pessoal com Deus.
            O idioma, tão caro ao espírito nacionalista, sofre forte impacto com a língua vernácula do aramaico babilônico,[14] acabando por ser assimilado como dialeto popular, permanecendo mesmo depois do cativeiro, sendo utilizado na Palestina nos dias de Jesus.
            Também é a partir do cativeiro babilônico que passaram a se referirem a si mesmo como judeus, pois somente eles permaneceram com uma identidade civil-religiosa distinta das demais nacionalidades. E assim são conhecidos até hoje em todos os lugares onde vivem.
            Ainda é importante destacar que os judeus deixaram de ser um povo agrícola e pecuarista, para se constituírem em um povo comerciante e urbanistas. No cativeiro e posterior diáspora aperfeiçoaram as técnicas comerciais de maneira que muitos vieram a adquirir grande riqueza. Provavelmente esse foi um dos fatores que inibiram ou desmotivaram a grande maioria dos exilados em retornarem para uma Palestina devastada, após o decreto de Ciro. Preferiram espalharem-se pelas grandes cidades e centros comerciais como a própria Babilônia, Susa e Alexandria.
            Desta forma havia um número muito maior de judeus da diáspora, do que os que moravam na Palestina. Mas que após a reconstrução do Templo, faziam questão de visitarem periodicamente e para onde destinavam verbas substancias, dando assim sustentação econômica à cidade e ao Templo.
            Ao retornarem para reconstruírem o país e o Templo, com ausência de um rei judeu, tornaram-se governados pela linhagem sacerdotal, que diametralmente tornaram-se genuínos déspotas e amantes do poder, transformando a religião judaica em instrumento de enriquecimento pessoal e de domínio político, perpetuando a máxima salomônica de que “não há nada de novo debaixo do sol”.
            Os judeus da diáspora foram muito importantes para o movimento inicial cristão. Os primeiros missionários cristãos, tendo na figura do apóstolo Paulo seu modelo maior, utilizaram abundantemente das sinagogas como ponto de partida para propagação da nova mensagem evangélica, pois não apenas os judeus, mas principalmente seus prosélitos estavam mais adequadamente preparados para compreenderem a vinda e obra do Cristo anunciado pelos cristãos. Na verdade, a mensagem cristã-evangélica está fundamentada nas Escrituras judaicas, então compactada em um cânon e traduzida para uma língua mundial, o grego koiné, popular e mais facilmente compreendido, de maneira que as Escrituras cristã será toda ela escrita neste idioma, ainda que seus escritores fossem judeus, com exceção de Lucas.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
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[1] Aquele que governa, ministra a justiça, o julgamento e a proteção e, como tal, e que na literatura bíblica é representante de Deus.
[2] O livro de Juízes consiste em três blocos bem definidos de materiais: a) um breve repasse da ocupação de Canaã pelos israelitas (Jz 1.1—2.5); b) a história dos juízes (2.6—16.31); c) e, finalmente, um apêndice que fala sobre a migração dos danitas e o conflito interno contra os benjamitas (Jz 17—21).
[3] A ausência de referências às grandes nações como os egípcios, os hititas e as nações da Mesopotâmia, nos registros bíblicos dos juízes, dificultam bastante a datação dos acontecimentos registrados. E Archer lembra que houve em diversos casos em que as atuações dos juízes que se sobrepuseram (2005, p. 200).
[4] Um segundo grupo de juízes são Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom, dos quais os textos bíblicos pouco nos informam.
[5] O livro de 1 Samuel fornece o material que é fonte básica para a vida de Samuel.
[6] Ele é o único rei de Israel que não tem especificado o tempo de seu reinado. Flávio Josefo diz que Saul reinou trinta e oito anos, sendo 18 anos durante a vida de Samuel e 20 anos depois de sua morte. (JOSEFO, s.d., v. 2, p. 279).
[7] O historiador Flavio Josefo os destaca como sendo os chutenses, povo de Chut, uma província da Pérsia que tem este nome por estar às margens de um rio com o mesmo nome. Josefo sempre que se refere à gente da Samaria os chama de chutenses. (História dos Hebreus, Vol. 3, Pag. 217)
[8] Eliaquim, a quem o Faraó mudou o nome para Jeoiaquim, foi igualmente instalado no trono por Neco que lhe impôs uma pena tributária de cem talentos de prata e um talento de ouro. (2 Rs 23:33). Passados dois anos deixaria de pagar tributo a Neco para começar a pagar para Nabucodonosor. Começou a governar aos 25 anos de idade e reinou por 11 anos (2 Rs 23:36).
[9] De acordo com 2 Rs 24:1 “nos seus dias subiu Nabucodonosor, rei de Babilônia, e Jeoiaquim ficou três anos seu servo; depois se virou, e se rebelou contra ele. ”
[10] Nesse momento histórico, o reino de Judá era um aliado do Egito. Com a vitória do rei de Babilônia sobre um posto militar avançado do Egito, localizado em Carquêmis, próximo ao rio Eufrates, muitos quilômetros ao norte, o Egito praticamente perdeu o controle que mantinha sobre a Síria e a Palestina, permitindo que Nabucodonosor marchasse livremente sobre Jerusalém, ao sul.
[11] Entre esses deportados estava o profeta Ezequiel.
[12] A ambiguidade de Zedequias fica patente em que ao mesmo tempo que permitiu que se matasse o profeta Jeremias, em outro momento o ouviu em segredo, enquanto conspirava juntar-se ao Egito contra Nabucodonosor.
[13] Nabucodonosor tomou conhecimento das profecias de Jeremias, que insistiu em que os judeus não se rebelassem, e permitiu que o profeta permanecesse na Palestina com os não exilados. Todavia, pouco tempo depois um agitador judeu chamado Joanã assassinou o governador Gedalias, que fora nomeado por Nabucodonosor, que reagiu de forma violenta, obrigando os revoltosos a fugirem para o Egito e levaram Jeremias contra sua vontade (cf. Jeremias 39.11-14 e 40.6).

[14] O aramaico é a língua predominante na Babilônia, tendo sua origem na fusão das línguas semitas da região. Essa língua tem um caráter marcantemente aglutinador, favorecendo a transformação da Babilônia num vasto império, de maneira que o aramaico se torna a língua comum de um extremo ao outro do Oriente Próximo.