quarta-feira, 6 de abril de 2016

OS PROFETAS E SUA MENSAGEM


Como boca ou porta-voz de Deus, a função primária do profeta era anunciar a mensagem de Deus ao Seu povo no contexto histórico em que estavam inseridos. Deste modo, o significado mais amplo é anunciar uma mensagem para o momento atual e/ou presente; o significado mais restrito é de predizer ou anunciar o que ainda haveria de acontecer.
            No processo de proclamar a mensagem de Deus, o profeta às vezes revelaria algo que pertencesse ao futuro, mas, ao contrário de opinião popular, esta era só uma parte pequena da função e da mensagem dos profetas. Num primeiro plano sua mensagem era exortativa, desafiando seus ouvintes a obedecerem a Lei e/ou vontade de Deus, já previamente revelada e conhecida. Num segundo e mais restrito plano se relacionava com uma previsão futura do que Deus haveria de fazer, relacionado diretamente com as promessas ou advertências de Deus devido à proximidade de Seu julgamento. Deste modo, o profeta era o porta-voz divinamente escolhido que, tendo recebido a mensagem de Deus, proclamava isto em forma oral, visual, ou escritas para as pessoas. Por essa razão, uma fórmula comum usada pelos profetas era, “Assim diz o Senhor”.
Como porta-voz de Deus, sua mensagem era anunciada através da tríplice função que eles exerciam no meio do povo de Deus, segundo o Velho Testamento:
Primeiro, eles atuavam como pregadores que expunham e interpretavam a Lei de Moisés à nação. Era seu dever advertir, censurar, denunciar o pecado em todas as suas formas, ameaçar com veemência sobre o juízo, conclamar ao arrependimento, e trazer consolação e perdão. Sua atividade de condenar o pecado e conclamar ao arrependimento consumia muito mais do tempo dos profetas que qualquer outra particularidade de suas atividades. A advertência era sempre acompanhada com previsões sobre o juízo que Deus pretendia enviar sobre aqueles que não dessem credito à mensagem proclamada pelo profeta (cf. Jonas 3:4).
Segundo, eles atuavam como videntes que anunciavam a proximidade do julgamento, libertação, e eventos relativos ao Messias e Seu reino. Quando predizia o futuro nunca era apenas para satisfazer a curiosidade humana, mas tinha como propósito demonstrar que Deus tinha pleno Conhecimento e Controle do futuro. A predição dada por um profeta verdadeiro seria visivelmente cumprida. O fracasso da predição em ser cumprida indicaria que o profeta não falou a palavra de Yahweh (cf. Dt. 18:20-22). Em I Samuel 3:19 ele declara que o Senhor era com ele e não deixaria nenhuma de suas palavras proféticas falhar (literalmente, “cair por terra”).
Terceiro, finalmente eles atuavam como atalaias que podiam contemplar do ponto mais alto e estratégico de Israel (Ez. 3:17). Ezequiel esteve como um vigilante nas muralhas de Sião pronto para trombetear uma advertência contra apostasia religiosa. Ele advertiu o povo contra as alianças políticas e militares com as nações estrangeiras, a tentação para se deixarem envolverem na idolatria e adoração dos cultos Canaanitas, e o terrível perigo de colocarem confiança excessiva no mero formalismo religioso com seu sistema de sacrifícios.
“Porquanto os profetas atuavam de diversas maneiras para comunicarem a mensagem de Deus, eles ocuparam um papel principal no sistema religioso de Israel. Os profetas em Israel ocuparam o papel de um diplomata real ou ainda o de promotor judicial, acusando a nação pelas violações constantes da Aliança e/ou Pacto de Moisés”.[1]


Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Historiologia Protestante
http://historiologiaprotestante.blogspot.com.br/

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[1] Carl Laney, Bibliotheca Sacra, Oct.-Dec. 1981, p. 315-316.

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