quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

PRIMEIRO E SEGUNDO TESTAMENTO - Verbete

Nos centros acadêmicos tem ocorrido um movimento para se utilizar a nomenclatura de Primeiro Testamento e Segundo Testamento para se referir ao que até então era denominado de Velho e/ou Antigo Testamento, referindo-se à primeira parte da bíblia cristã (também chamada de bíblia judaica) e Novo Testamento que correspondia à segunda parte da literatura que perfaz a totalidade da literatura canônica cristã.
Certamente que esta mudança pode causar em um primeiro momento certo desconforto, ou mesmo, se houver espírito apologético, de se incitar uma guerra santa ou teológica, todavia antes que isso venha ocorrer é preciso enfatizar que se preservou o termo mais importante da nomenclatura anterior ou seja o termo “Testamento”, que é de fato fundamental para a compreensão correta do conteúdo da mensagem em ambas as partes da bíblia.
A motivação para essa mudança de nomenclatura é mais acadêmica do que religiosa, mais de ordem pratica do que teológica. O termo “Antigo” a muito vem perdendo seu significado positivo de se referir a algo relevante, primário ou de primazia, resgatado principalmente no período renascentista e mantido pelos séculos posteriores. Todavia, no final do século XX e início do novo Século XXI o termo “Velho” passou a representar no imaginário popular algo ultrapassado e obsoleto que não tem mais utilidade e deve ser descartado ou na linguagem mais atualizada, algo a ser deletado.
Isso é fácil de ser identificado quando se pesquisa entre os cristãos evangélicos quem são aqueles que leem o “Antigo” Testamento. A grande maioria, quando lê a Bíblia, opta pelo “Novo” Testamento, pois invoca a ideia de algo mais atualizado e portanto, relevante para suas vidas. Na utilização das nomenclaturas “Primeiro” Testamento anula-se a ideia pejorativa de que a maior parte da bíblia cristã é uma literatura ultrapassada e que pode ser descartado pelo cristão do século XXI.
Outra razão para essa mudança está no fato de que a nomenclatura Antigo e Novo Testamento pode fomentar a ideia equivocada de que há uma ruptura entre a primeira e a segunda parte da bíblia de maneira a se abrir espaço para uma depreciação do valor intrínseco daquela que se constitui na maior parte da revelação bíblica. A utilização de Primeiro e Segundo Testamento evoca entre outras a ideia de primazia e continuidade, de modo a se enfatizar a relevância da literatura bíblica em sua totalidade, motivando os seus leitores em geral a valorizar desde o primeiro até o último livro sem nuances depreciativas em relação aos livros que foram anteriormente escritos e preservados.
Portanto, a substituição de nomenclatura para identificar as duas partes da bíblia cristã é salutar e ressalta a melhor compreensão da ligação umbilical que une ambos Testamentos, como também fortalece a verdade de que a mensagem contida na primeira parte continua se desenvolvendo na segunda, de maneira que ambas as partes são imprescindíveis para a genuína compreensão da totalidade da mensagem cristã.  

Me. ipg


Nenhum comentário:

Postar um comentário