sábado, 30 de janeiro de 2016

A Ordem dos Livros do Novo Testamento

Os livros que compõe o Novo Testamento não foram organizados em ordem cronológica, mas foram colocados em uma ordem lógica, ou seja, conforme o seu conteúdo temático.
Desta forma temos primeiramente os quatro evangelhos, que registram a vida e ministério de Jesus, bem como sua morte, ressurreição e ascensão. O livro de Atos contém o registro da expansão do cristianismo a partir de Jerusalém até alcançar e se estabelecer em Roma, então a capital do Império Romano. A partir deste pano de fundo histórico temos as correspondências entre os apóstolos e suas comunidades tratando sobre as questões teológicas que geraram controvérsias, bem como, estabelecendo os parâmetros eclesiásticos e disciplinares na convivência comunitária das igrejas. As correspondência paulinas abrem essa divisão, tendo a carta aos Romanos como primeira pelo tamanho e não porque fosse sua primeira carta; Hebreus foi por muito tempo tida como paulina, mas hoje há um consenso de que sua autoria deve ser dada a outrem, por esta razão foi colocada entre as paulinas e as gerais; Tiago abre esta segunda sessão denominadas de cartas gerais, porque não tem um público definido, mas se dirigem a diversos grupos judeu-cristãos espalhados em diversos locais geográficos; fechando o cânon foi colocado o Apocalipse cujo conteúdo se refere à segunda vinda (parousia) de Jesus Cristo e a conclusão da história da Igreja.
Embora seja muito difícil uma conciliação entre os estudiosos na fixação das datas de cada um dos livros, [1] pois em nenhum deles o escritor ou copista teve esta preocupação, optamos abaixo por mencionar uma ordem cronológica de perfil conservador como segue:

Livro
Data (d.C.)
Livro
Data (d.C.)
Tiago
Gálatas
1e 2 Tessalonicenses
Marcos
Mateus  
1 Coríntios
2 Coríntios
Romanos
Lucas
Atos
Colossenses, Efésios
45-49
49
 51
50 ou 60
50 ou 60
55
56
57-58
60
61
60-61
Filipenses   Filemom
1Pedro
1 Timóteo
Tito
Hebreus
2 Pedro
2 Timóteo
Judas
João [evangelho]
1, 2, 3 João
Apocalipse
63
63-64
63-66
63-66
64-68
66
67
68-80
85-90
85-90
90-95
     95</TBODY>

Me. IPG






[1] Na introdução individual de cada livro haveremos de discutir com maiores detalhes esta questão da data.

Composição e Arranjo do Novo Testamento

O Novo Testamento é composto de vinte e sete livros escritos por nove autores diferentes. Baseado em suas características literárias, eles estão frequentemente classificados em três grupos:
1. O histórico (os Evangelhos e Atos – 05 livros)
2. O epistolar (Romanos até Judas - 21 livros)
3. O profético (Apocalipse - 01 livro).
O gráfico abaixo ilustra a divisão e enfoca esta classificação tripla dos livros do Novo Testamento.

RESUMO PANORÂMICO
Histórico
 
Os Evangelhos:
Mateus, Marcos, Lucas, João
Manifestação:
Registram a história da vinda do Salvador e Sua pessoa e obra.
Atos
Os Atos do Espírito Sagrado através dos apóstolos
Propagação:
Proclamação da mensagem do Salvador que veio.
Epistolar
Cartas e/ou Epístolas:
Correspondência para igrejas e indivíduos.
Romanos até Judas
Explicação:
Desenvolvendo o significado e da pessoa e obra de Cristo e como isto deveria afetar o viver do Cristão no mundo.
Profético
Apocalipse
A Revelação de Jesus
Cristo o Senhor
Consumação:
Antecipando os eventos do fim dos tempos e a volta do Senhor, seu reinado eterno, e o estado final dos salvos.
</TBODY>


Me. IPG



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

ZELOTES: Movimento Radical Judaico


Entre os homens que Jesus separou para constituir sua equipe mais pessoal de discípulos, que passaram a serem identificados por apóstolos, encontra-se ao menos um identificado como sendo um zelote – Simão o Zelote (Lucas 6.15 e Atos 1.13).[1] e manteve sua identificação mesmo após ser inserido no grupo apostólico.
Quem foram os zelotes? Revolucionários? Movimento religioso? Abaixo procuro trazer algumas informações que podem ajudar a formar uma concepção mais real desse grupo contemporâneo de Jesus.
Diante da ocupação de sua nação pelo poderoso Império Romano os judeus se dividem em aqueles que se tornam colaboradores e aqueles que resistem. Entre os colaboradores com os romanos estão de forma mais explicita os herodianos [2], partidários de HerodesAntipas e os saduceus, ligados diretamente ao Sumo Sacerdote e ao Templo e que não desejavam irritar os mandatários romanos; dos opositores há os fariseus que resistem de forma menos incisiva e os zelotes que estavam dispostos a ações mais contundentes e até mesmo violentas. Flávio Josefo (Antiguidades Judaicas. xviii. 1.1,6; B. J. ii.l) refere-se a eles como a “quarta seita de filosofia judaica” (ou seja, em adição aos fariseus, saduceus e essênios) que foi fundada por Judas, o Galileu (cf At 5.37).
            O nome “zelote[3] vem do grego (Znlwtnç) “ser zeloso por, desejar grandemente, alguém zeloso” que pode estar relacionado com a pratica da Torá judaica (SAULNIER e ROLLAND, 1983, p. 55), mas é verdadeiro que essa era uma característica de todos os demais segmentos religiosos judaicos (HORSLEY e HANSON, 1985). Pode-se concordar com Hale quando ele afirma que os zelotes eram extremistas do partido dos fariseus que defendiam a independência da Nação e autonomia plena dos judeus (HALE, 2001, p. 19-20), e não se limitavam apenas ao discurso político, mas estavam dispostos a irem às últimas consequências e à utilização da violência física.
            Há muitas dúvidas sobre sua origem tanto no que concerne a data quanto de que segmento religioso eles se originaram. O movimento dos zelotes parece ter tirado sua inspiração dos asmoneus (ou seja, o Macabeus) e de Finéias (Nm 25.8), neto de Arão. Quando Israel no deserto pecou adorando Baal-Peor, e quando um israelita tomou por esposa uma midianita desrespeitando a Lei de Moisés, foi Finéias, que em seu zelo para com o Senhor matou ambos, aplicando, assim, a ira de Deus para com os rebeldes israelitas (Nm 25.1-15.). Como Finéias, os asmoneanos eram zelosos pela lei de Deus, livrando a terra e o templo de apóstatas (I Macabeus 2.19-28). Alguns os colocam juntos com os sicários;[4] outros compreendem que sua origem está no movimento produzido pelos essênios, um grupo monástico que vivia isoladamente no deserto. Quando optamos apenas pelas informações do historiador judaico Flavio Josefo os zelotes era apenas um grupo terrorista da época.[5] Ainda com base nos relatos do historiador judeu, os zelotes utilizavam um discurso social religioso para camuflar suas ações de espoliação e saques, pois entendia que este enriquecimento era fruto das ligações e comercialização com o Império Romano, alvo de sua ira acumulada.
            Outra forma de interpretar este grupo dos zelotes é enxergá-los como um movimento religioso-político com fortes convicções messiânicas e que esperavam que Israel viesse a ser o centro do governo mundial do Messias. Mas, diferentemente de outros grupos religiosos como os saduceus, fariseus e os essênios, os zelotes estavam dispostos levar suas propostas às últimas consequências.
Na pressa de estabelecer um link do movimento dos zelotes com o movimento cristão, se utiliza o fato de Jesus ter enfatizado em seu ensino aos discípulos a necessidade deles “tomarem a cruz” para poder segui-Lo, visto que a cruz também se constituía em um símbolo que os zelotes impunham aos seus adeptos.[6] Entretanto, um exame ainda que superficial da proposta evangélica de Jesus torna-se evidente que são completamente antagônicas e irreconciliáveis com a proposta libertária político-econômica dos zelotes.[7]
Outra associação se tem feito pelo fato de que os zelotes também eram chamados de "galileus". Judas, o organizador do movimento da liberdade, tanto no livro de Atos (5.37) e em Josefo, recebe a alcunha de "o Galileu". A persistente resistência na Galileia contra Herodes, e a insurreição após sua morte, mostram que esta província era desde cedo um centro revolucionário de oposição ao poder estrangeiro e seus apoiadores. A cidade de Séforis, na Galileia parece ter sido a principal fortaleza em que os Zelotes concentraram suas forças. Era muito natural, que todos os rebeldes em todo o território judeus passassem a ser chamados de "galileus". Jesus Cristo vem justamente dessa região da Galileia e é denominado na narrativa bíblica de Galileu, bem como muitos de seus discípulos (Lc 22.59; 23.6 e Atos 1.11; 2.7).
Por fim, Alguns estudiosos associam Jesus com este movimento fanático, por causa do título sobre a cruz: "Este é o Rei dos Judeus", indicação que Pilatos condenou-o como um nacionalista violento. Entretanto, o todo do ensino e ações de Jesus indica o contrário. Um verdadeiro revolucionário fanático nunca defenderia, "Amai os vossos inimigos" (Mateus 5.44), o pagamento de impostos a César (Mateus 22.21, Marcos 12.17, Lucas 20.25), e ficaria satisfeito com duas espadas (Lucas 22.38), para produzir uma revolta contra o maior império da época.                                                                                     
Aspectos Teológicos dos Zelotes
            Existe uma escassez de informação sobre o pensamento doutrinário ou teológico dos zelotes, mas por advirem do farisaísmo podemos fazer uma aproximação nos aspectos em que se assemelham e destacarmos os aspectos que os distinguem.

 A Relação dos Zelotes com a Lei, o Templo e a Influência Helenista
            Como mencionado acima eles tinham um ferrenho apego à Lei mosaica, no que se assemelha aos fariseus, em que os aspectos não apenas religiosos, mas também os sociais deveriam ser orientados pela observância dessa Lei. A questão da idolatria também era fundamental, pois há somente um Deus verdadeiro e que exige adoração exclusiva. Um diferencial deles com os fariseus está na relação do Templo, que para eles era fundamental e com o qual mantinham fortes laços, pois muitos eram sacerdotes dissidentes. [8] Em concordância com os fariseus eles repudiavam toda e qualquer influência do helenismo na cultura e religião judaica.

O Pensamento Messiânico dos Zelotes
            O messianismo dos Zelotes estava vinculado diretamente à rejeição do jugo romano, dentro da cosmovisão de que Israel era a nação escolhida para reinar com o Messias no Reino Escatológico.[9] Eles levaram esta interpretação ao extremo, de maneira que somente um governo teocrático teria legitimidade e que no caso específico deles o governante seria um Sacerdote, daí a importância que davam ao Templo. Para estabelecer novamente a teocracia, a resistência armada foi sancionada, tal como tinha sido com os Macabeus. Esta mensagem escatológica radical tornou-se o credo de um movimento popular substancial.
            O zelo pela santidade e redenção de Israel exigia uma total devoção à vontade de Deus, uma prontidão para sofrer e até mesmo sacrificar a própria vida. Para eles, a passividade dos contemporâneos em relação ao jugo pagão (Roma) fazia com que a manifestação do Reino dos Céus fosse adiada, o que justificava seus esforços guerrilheiros para remover o jugo romano e apressar a vinda do grande dia.
            Somente esta interpretação escatológica radical poderia explicar o fato de que centenas de zelotes se tornaram mártires quando da invasão dos exércitos romanos sobre Jerusalém, pois com suas mortes eles estavam abrindo o caminho para o Reino eminente de Deus.

 Resumo Histórico do Movimento dos Zelotes
0 d.C. - Eles surgem no início do primeiro século da era cristã como oposição radical contra o governo de Herodes, o Grande.
06 d.C. - Os zelotes, sob a liderança de Judas da Galileia, iniciam uma rebelião como protesto contra Judá que é colocada totalmente sob o domínio romano. A rebelião, foi rapidamente derrotada e muitos de seus líderes foram mortos.
Cerca de 10 a 60 d.C. os zelotes ainda estão ativos em ataques terroristas, mas apenas em pequena escala.
66 d.C. - Os zelotes são centrais na organização da revolta contra os romanos.
70 d.C. - A rebelião judaica em Jerusalém é esmagada, e com ela a maior parte dos zelotes são mortos.
73 d.C. - Com a queda de Jerusalém, um grupo de Zelotes se refugiam e resistem na Fortaleza de Massada 10] onde finalmente são derrotados pelos exércitos romanos, e cometem suicídio coletivo. Mas isso não representa o fim dos zelotes, pois havia vários pequenos grupos em torno da Palestina que continuou a ser ativo.
2º séc. d.C. - Últimos relatórios de atividade dos Zelotes.


Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
me.ivanguedes@gmail.com
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Referências Bibliográficas
ANDRADE, Claudionor de. Geografia Bíblica: a geografia da Terra Santa é uma das maneiras mais emocionantes de se entender a história sagrada. 13ª. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
BRANDON, Samuel George Frederick. Jesus and the Zealots – a study of the political fator in primitive christianity. New York: Charles Scribner’s Sons, 1967.
BRIGTH, Jonh. História de Israel. 7ª. ed. São Paulo: Paulus, 2003.
DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1995.
HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2001.
HORSLEY, Richard A. & HANSON, John S. Bandidos, profetas e messias: movimentos populares no tempo de Jesus. 2 ed. São Paulo: Paulus, 1995.
JEREMIAS, Joachim. Jerusalém no Tempo de Jesus: pesquisa de história econômico-social no período neotestamentário. 4 ed. São Paulo: Paulus, 1983.
LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e seus intérpretes: uma breve história da interpretação. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
OTZEN, Benedikt. O Judaísmo na Antiguidade: a História política e as correntes religiosas de Alexandre Magno até o Imperador Adriano. São Paulo: Paulinas, 2003.
PIXLEY, Jorge. A História de Israel a partir dos pobres. 9ª ed. Petrópolis: Vozes,
2004.
SAULNIER, Christiane & ROLLAND, Bernard. A Palestina nos tempos de Jesus. 7ª
ed. São Paulo: Paulinas, 1983.
SCARDELAI, Donizete. Da religião bíblica ao judaísmo rabínico: origens da religião de Israel e seus desdobramentos na história do povo judeu. São Paulo: Paulus, 2008.
SCHUBERT, Kurt. Os Partidos Religiosos Hebraicos da época Neotestamentária. 2 ed. São Paulo: Paulinas, 1979.
STEGEMANN, Ekkehard W. e STEGEMANN, Wolfgang. História social do protocristianismo. São Leopoldo, RS: Sinodal; São Paulo: Paulus, 2004.
ZEITLIN, Irving M. Jesus and the Judaism of his time. John Wiley & Sons, 2013.
Contexto Histórico-Social, Político, Religioso e Cultural no Livro de Atos. Disponível em
< http://www.geocities.ws/joshuaibg/textos/contexto_historico_atos.htm >. Acesso em
21/09/2014.
Dicionário Bíblico. Disponível em
<http://www.bibliaonline.net. Acesso em 21/03/2014.
SILVA, Andréia Cristina Lopes Frazão da. A Palestina no Século I d. C.
Disponível em < http://ejesus.com.br/a-palestina-no-seculo-i-d-c/>. Acesso em
29/08/2014.

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[1] As narrativas evangélicas são econômicas quanto aos detalhes biográficos de Simão. As listas apostólicas (Mt 10.2-4, Mc 3-16-19, Lc 6.13-16 e At 1.13) encerram tudo o que sabemos, biblicamente, acerca de Simão. Informações históricas difíceis de serem atestadas indicam que era da pequena Cana da Galiléia e um dos prováveis convidados da festa de casamento onde Jesus realizou o primeiro milagre; o texto apócrifo do Evangelho dos Ebioniotas o coloca entre os primeiros discípulos chamados à beira mar na Galiléia; outra informação o coloca entre os pastores que ouviram o anuncio do nascimento do Salvador; Doroteu, bispo de Tiro, declara: “Pregou a Cristo através de toda Mauritânia e África Menor. Foi, por fim, crucificado, dilacerado e enterrado na Britânia”.
[2] Este grupo gravitava ao redor de Herodes Antipas, que era nomeado pelo Imperador Romano. Os herodianos viam em Jesus uma ameaça ao governo de seu bem feitor, por isso sempre tratavam Jesus com hostilidade (Mt 22.16; Mc 3.6; 12,13).
[3] Em relação ao termo “zelote” de origem grega utilizado por Josefo, Martin Hengel observou que na Septuaginta as palavras hebraicas “El Kannai” ("Deus zeloso") são traduzidos como “Theos zelote”, a palavra zelote na literatura grega em geral tem uma conotação moral que é retida na Septuaginta, a tradução helenístico judaica da Bíblia Hebraica. Entretanto, a palavra, tinha um significado distinto na Cultura judaica da época, para a qual não existe equivalente grego, ou seja, devoto e zeloso são sinônimas de religioso. Assim, tornou-se o nome de um "partido" que era zeloso por Deus.
[4] Autores como Smith, Rhoads, Horsley, Crossan e outros, consideram os “sicários” e “zelotes” como movimentos independentes (STEGEMANN, 2004, p. 202).
[5] Ele chama-os de "salteadores" e de "bandidos" em suas várias citações e somente na insurreição judaica de 66 d.C. ele os chama pela primeira vez de "zelotas". Porém, no entendimento de Pixley (2004, p. 127) Flavio Josefo tem uma má vontade por não simpatizar-se com os zelotas, ainda que reconheça o papel deles quando da guerra contra os romanos. Outro fato é que Josefo desejava desvincular os zelotes do movimento dos fariseus.
[6] No período de 6-66 d.C., o movimento zelote, ganhou mais e mais adeptos, o que levou os estudiosos, a partir da proposta de Hermann Samuel Reimarus, no século XVIII, de associar Jesus com este movimento.
[7] Como uma das ironias da história, a narrativa evangélica lucana coloca o nascimento de Jesus no momento em que o Império Romano, ano 06 d.C., decreta o censo por toda Judéia como marco do pleno domínio sobre eles. Este censo tinha como objetivo determinar a quantia de tributos que os judeus deveriam pagar a Roma, de maneira que provocava na população um espírito de humilhação por sua sujeição a uma potência estrangeira, que vai incitar e nutrir o movimento dos Zelotes. (BRANDON, 1967, p. 26).
[8] Horsley discorda dessa associação imediata entre os Zelotes e sua origem sacerdotal, pois entende que o “zelo” pelo Templo foi circunstancial, uma vez que foram forçados a utilizar o Templo como refugio, quando acossados pelas autoridades judaicas e romanas em Jerusalém. (1995, p.229).
[9] Judas Galileu organizou um movimento que se fundamentava: a) no reinado exclusivo de Deus e, b) o ser humano deveria colaborar com Deus, evitando qualquer outro domínio.
[10] Massada, que, provavelmente, significa "lugar seguro" ou "fortaleza", é um imponente planalto escarpado, situado no litoral sudoeste do Mar Morto. O local é uma fortaleza natural, com penhascos íngremes e terreno acidentado. Na parte leste, a face do penhasco se eleva 400 metros acima da planície circundante. O acesso só é possível através de uma difícil trilha que serpenteia pela montanha.



GLOSSÁRIO BÍBLICO [Ampliado]


Aarão: Irmão mais velho de Moisés e uma das principais figuras dos acontecimentos do Êxodo. Quando da construção do Tabernáculo, Arão e seus descendentes foram separados e consagrados para o ofício sacerdotal. Morreu no Monte Hor, na fronteira de Edom (Iduméia), com a idade de 123 anos.

Aaronitas: descendentes imediatos de Arão, primeiro sumo sacerdote, instituído por Moisés ainda no deserto. Seus descendentes receberam treze cidades (levitas), quando adentraram os limites de Canaã, nos dias de Josué.
Ab: Quinto mês do ano civil judaico e 11º do ano religioso. Tem 30 dias e cai em julho-agosto. O dia Nove de Ab é dedicado a um jejum para lembrar a destruição do Primeiro e do Segundo Templos.  Se o dia Nove cai em um sábado, as comemorações são adiadas para o dia seguinte. As sinagogas toda as ornamentações e os fieis assentam-se em bancos baixos ou no chão. Nesse dia é lido o livro de lamentações de Jeremias.
Abel: Segundo filho de Adão e Eva. Era pastor, enquanto seu irmão era agricultor (Gn 4.2). Quando oferecem oferta a Deus, a de Abel foi aceita e a de Caim rejeitada, gerando amargura e ressentimento ao ponto de Caim matar Abel. Esse é o primeiro assassinato nas Escrituras.
Abiatar: Filho de Aimeleque, sumo sacerdote em Nobe. Ele foi o décimo sumo sacerdote e o quarto na descendência de Eli. Escapou do massacre efetuado por Saul e se refugiou com Davi, na caverna de Adulão, levando consigo a éfode, veste sacerdotal (1Sm 22.20-23; 23.6). Posteriormente o rei Davi o nomeou sumo sacerdote (1Sm 15.11; 1Rs 2.26). Durante a rebelião efetuada por Absalão, Abiatar manteve-se fiel a Davi. Todavia, no inicio do reinado de Salomão ele foi destituido de sua função sacerdotal (única ocorrência histórica) e banido para sua casa em Anatote, e o sacerdocio passou para a família de Itamar. Ele acaba apoiando uma rebelião em Shechem e acabou sendo sendo assassinado durante a revolta. 
Abigail: Foi esposa de Nabal, comerciante rico no monte Carmelo, que se recusou a ajudar Davi, quando fugia de Saul. Antes de Davi se enfurecer Abigail leva escondido os mantimentos solicitados, acalmando a ira de Davi. Ficando viúva veio a se casar com o próprio rei Davi, tendo um filho chamado Quileabe (2Sm 3.3; mas chamado de Daniel em 1Cr 3.1-2).
Ablução: Termo usado para designar a lavagem ritual religiosa destinada a remover simbolicamente as impurezas do ofertante antes da prática de atos religiosos ou depois de contato com coisas consideradas impuras. No contexto judaico de Jesus havia ao menos três tipos de ablução: a) imersão completa; b) lavagem dos pés e das mãos (Jesus na última ceia); c) lavagem das mãos (antes de qualquer refeição e ou orações).
A.C. [a.C.]: sigla para designar a divisão da história utilizando o surgimento de Cristo, prevaleceu por muitos séculos em todas as áreas do saber, mas atualmente tem sido muito questionado e outras opções tem sido utilizadas.
Acróstico: forma literária ou poética onde as letras utilizadas para iniciar versos ou estrofes, podem quando lido de cima para baixo formarem uma palavra, uma frase ou reproduzirem o alfabeto. O Salmo 119 foi elaborado em forma acróstica, pois cada verso inicia-se com uma letra do alfabeto hebraico. Outro exemplo é o poema que esta no livro de Lamentações (capto. 3).
Áquila [α´]: uma tradução bem literal do Antigo Testamento para o grego, datada próximo de 130 d.C. e foi incluída na terceira coluna da Héxapla.
Adonai: um dos nomes de Deus na Bíblia. Significa "meu Senhor" e se constitui em um plural majestoso. Os israelitas o pronunciavam no lugar de "Yahvé" o nome pelo qual Deus se revelou a Moisés e se relaciona diretamente à Aliança. A Vulgata Latina emprega o substantivo "Dominus" (O Senhor), que tem o sentido de domínio, posse, soberania e árbitro.
A.E.C: "antes da era comum" nova forma de identificar os eventos históricos, substituindo o tradicional A.C. (antes de Cristo). A expressão "era comum" é o período histórico compartilhando tanto pelos judeus quanto pelos cristãos. Nos centros acadêmicos a tendência atual é utilizar A.E.C. em lugar de a.C. 
Aforismo: vem do grego e se refere a uma afirmação ou formulação de uma verdade. Os provérbios são exemplos e Jesus os utiliza de forma didática (Mt 6.21).
Ágora: refere-se à Praça central nas cidades gregas, muitas vezes traduzidas por "mercado", pois normalmente fluía ao seu redor os prédios públicos, templos e o comercio em geral. Foram nestas praças (Ágora) que os missionários cristãos anunciavam sua mensagem evangélica (Atos 16.19; 17.17).
Alef (א): Primeira letra do alfabeto hebraico. Corresponde ao Alif árabe, ao Alaf sírio e ao Alfa grego, na transliteração para o português não é uma vogal, mas uma consoante pronunciada com tom glótico e nos últimos tempos tornou-se uma letra completamente muda e sendo empregada como uma vogal para indicar um “a” longo (como em “carro”).  O nome significa “boi” e, na forma mais antiga da escrita hebraica, a letra tinha a forma de uma cabeça-de-boi. A raiz (ףלא) vem da raiz לא (El) e na bíblia hebraica é utilizada para se referir a “Deus” ou “deus”. Alef e Tav são a primeira e a última letra do alfabeto hebraico e a expressão de “alef a tav” significa “do começo ao fim”.
Alfabeto Hebraico: difere do nosso por ser constituído apenas de consoantes (em numero de vinte e duas). As ausência das vogais é suprida por fonemas indicadas por por marcas diacríticas de pontos e traços colocados acima e abaixo das consoantes. Dos sons de vogais cinco são longos e outros cinco são breves. Esse alfabeto não advém dos primitivos israelitas (Abraão ou Moisés), mas da língua irmã o aramaico.
Aliança: vem do termo hebraico "berit", que se refere a uma aliança entre duas pessoas ou entre uma pessoa e Deus. Normalmente se refere a um acordo em que ambas as partes assumem direitos e deveres. Na bíblia torna-se um conceito teológico fundamental para se compreender a relação de Deus e seu povo, que no Antigo Testamento se refere a Israel e no Novo Testamento à Igreja, o novo Israel da nova Aliança. A grande diferença é que Deus nunca quebra a sua Aliança, mesmo quando seu povo a quebra.
Amorreus: Uma das mais poderosas tribos com estrutura tribal que habitavam as terras de Canaã no tempo em que os israelitas a conquistaram. 
Amonitas: Descendentes de Ló, decorrente do incesto com uma de suas filhas, se constituindo em uma tribo aramaica que se estabeleceu na parte superior do Rio Jaboque, além do lago de Tiberíades e um território que antes havia pertencido aos refaítas. Desenvolveram um idioma vindo do mesmo tronco linguístico do hebraico e do aramaico.
Amorita: o idioma da mesma família que o hebraico e aramaico. Por essa afinidade ela é utilizada para uma melhor compreensão de aspectos gramaticais e linguísticos do hebraico bíblico. O povo Amorita exerceu domínio sobre a Mesopotâmia ao longo do segundo milênio a.C., constituindo importantes centros de poder na região sul, na Babilônia, no Eufrates, bem como ao norte, em Assur e Nínive nas margens do rio Tigre.
Ano Sabático: de acordo com as leis registradas no livro de Levítico a cada sete anos, deveria haver um "Sabath" - um ano de "solene repouso" para o solo da terra de Israel (Lv 25.4). Alexandre, o Grande, inteligentemente suspendeu os impostos durante o ano sabático, todavia, os procônsules romanos foram intransigentes. [agrônomos provaram que este descanso da terra é fundamental para a preservação da qualidade do solo].
Antropomórfico: é o termo que se utiliza quando o escritor bíblico atribui qualidades humanas à Deus (ex. os olhos de Deus; a mão do Senhor, etc...). 
Apócrifo: identifica toda a literatura extra-biblica, ou seja, aqueles livros religiosos que não foram incluindos no cânon tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento. Alguns desses livros foram incluídos no cânon bíblico católico e ortodoxo. 
Aramaico: é uma das línguas semitas e que compartilha de muitas semelhanças com o hebraico. Alguns textos bíblicos utilizam essa  língua (ex. Gn 31.47b; Ed 4.8-6.18; 7.12-26; Jr 10.11b; Dn 2.4b-7.28). O termo se refere ao povo arameu, nome pré-helenístico da Síria, Arã. Eles não estabeleceram um império poderoso, mas seu idioma predominou sobre todos os povos da região do Oriente Próximo e a razão é que criaram um sistema alfabético em substituição ao sistema cuneiforme até então utilizado. Após o exílio babilônico, quando a língua hebraica entrou em declínio, o aramaico se tornou o principal idioma do judaísmo, inclusive na Judeia, como fica evidenciado nas literaturas do Mishnah, Midrash e Talmud. Jesus e seus discípulos utilizaram o aramaico para se comunicar na diversas regiões da judaicas.
Arca da Aliança: era a caixa no qual Moisés depositou as tábuas de pedra contendo os termos da Aliança estabelcida por Deus com os israelitas, no monte Sinai. Demarcava também a presença gloriosa de Deus no meio de Seu povo. Temos o registro do desenho e da construção dela no capítulo 25 do livro do Êxodo. A Arca desapareceu completamente.
Arca da Lei: é um simples armário, forrado por dentro com seda ou veludo, no qual se guarda, em posição vertical, o Rolo da Lei [Pentateuco], em pergaminho (Sefer Torah). É a peça mais importante em um Sinagoga. 
Asmoneus [Hasmoneus]: é o nome de uma família judaica (os Macabeus) e seus descendentes que iniciaram uma grande rebelião contra o domínio sírio em 167 a.C. e que em parte está registrada nos livros de Macabeus (1Mb 14.25-45) e do historiador Josefo (in Antiq. 20.8.11); ver vocábulo Macabeus. 
Astarote: era um deusa do panteão cananita. Ela controlava o mar e era consorte de Baal, deus da fertilidade e da agricultura. Apesar de toda advertência de Deus, os israelitas acabaram se deixando seduzir por esses deuses, inclusive levantando altares e prestando-lhes cultos. O grande atrativo desses cultos cananitas eram seus rituais de fertilidade regadas a sexo com suas prostitutas sacerdotais.
Autógrafo: é o termo que se refere à edição original de um trabalho particular, escrito ou ditado pelo autor. É a primeira cópia da qual todas as cópias seriam mais tarde reproduzidas.

Canaã - Uma área de território incluindo o atual Líbano e Israel. Os cananeus governavam a terra, particularmente as férteis planícies, com um sofisticado sistema de cidades-estados. Suas crenças religiosas centraram-se no poder da Natureza, e na fertilidade de todos os seres vivos. Na forma religiosa de pensar os cananeus contavam o ciclo das estações anuais e das forças da água, do sol, da chuva e do vento. Havia quatro deuses principais: Anat era o criador e defensor da família/povo; A deusa Asherah personificava a fertilidade de todas as criaturas femininas; Baal controlava a água na terra, na chuva e nos rios; E o deus El era a fonte da lei e da autoridade.
Cananeus: Descendiam de Cam, filho de Noé, e no sentido mais amplo abrangia todos os povos que não eram israelitas. Viviam entre vales e costas ocupando um ponto estratégico econômico-militar, pois era passagem para as rotas comerciais e para os avanços dos grandes impérios.
Cânon: a palavra grega (Kanon) que veio a significar "regra" "medida". No desenvolvimento da literatura bíblico passou a identificar o conjunto ou coleção de literatura que foram aceitos como regra de fé e prática, tanto no judaísmo quanto no cristianismo. Somente os livros contidos no cânon passaram a ter autoridade espiritual.
Cânon Moratori: é o documento mais antigo que faz referência aos livros canonicos do Novo Testamento, elaborado po volta do ano 150 d.C. e descoberto no sec. XVIII pelo italiano Ludovico Antonio Muratori, a razão de sua denominação. Por meio deste documento podemos saber: quais livros eram aceitos e lidos pela igreja; os livros que eram parcialmente aceitos e lidos; os livros que eram lidos apenas particularmente e os livros que foram rejeitados.

Concubina - Uma esposa secundária, com proteção legal, mas sem o status pleno de esposa primária. Uma concubina costumava vir ao seu marido sem dote, ou era uma mulher que anteriormente fora escrava. Seu status aumentava se gerasse um filho do marido. Foi o que aconteceu com Sara e Agar em relação à Abraão.

Clã - Uma associação frouxa de famílias extensas, vivendo na mesma área e tendo antepassados ​​comuns. Nos dias de Abraão, Isaque e Jacó (Genesis) eles e os povos que habitam em Canaã viviam em sistema de clãs. 
Coiné [Koinê]: significa “comum” sendo associado à língua grega falada e escrita no período neotestamentários do grego popular que se diferenciava do grego clássico dos filósofos. Tornou-se rapidamente a língua utilizada em todas as esferas sociais e comerciais em todo território mediterrâneo após as conquistas de Alexandre o Grande. Apesar dos escritores do Novo Testamento serem de origem judaica, com exceção de Lucas que era grego, a língua utilizada foi o grego coiné, também chamado de grego helenístico.
Creatio ex Nihilo: frase em latim que significa "criação a partir do nada", com a qual os cristãos primitivos passaram a responder às diversas interpretações sobre a criação do mundo, nos quais se ensinavam que a matéria (mundo) era pré-existente, que foi utilizada por Deus para moldar o mundo. Os interpretes cristãos com base no livro de Gênesis mantiveram o ensino de que Deus trouxe à existência o universo a partir do nada, portanto, antes do mundo existia somente Deus (Sl 33.6,9; Hb 11.3).
Cuneiforme: escrita em forma de cunhas utilizando-se um estilete (3200 a 2900 a.C.) feitas em placas de argila que depois eram cozidas para conservar seus registros.
Diáspora [Dispersão]: é utilizado para se referir os judeus que após o Cativeiro Babilônico optaram por permanecerem morando fora da Palestina.
Didaquê: foi um dos primeiros livros textos de catequese cristã, cujo escritor é anônimo. De forma elementar e suscita trata de temas relacionados à doutrina, ética e prática cristã nas comunidades. Sua datação está entre 85 a 135 d.C.

Discípulo - Os professores (mestres/rabinos) do mundo antigo tinham um grupo de estudantes (de qualquer idade) que os seguiam, ouviam o seu ensinamento e aprendiam com eles. Esses alunos eram chamados de "discípulos".
Dote – Valores que eram entregue pela família da noiva no momento do casamento, e, posteriormente, de propriedade da esposa. Era sua parte da herança familiar, o suficiente para agir como uma renda em caso dela ser abandonada ou ficasse viúva.
Edom [Iduméia]. Situada no Sudoeste da Palestina, chamada também de Monte Seir. Eram de origem semita descendentes de Esaú (irmão Jacó). Sempre foram inimigos dos israelitas. Durante a invasão dos babilônios eles ajudaram a saquear a cidade de Jerusalém e o Templo. Um eminente personagem edomita foi Herodes, o que explica a grande rejeição dele por parte dos judeus.
Éfode: Veste sacerdotal utilizada especialmente pelo sumo sacerdote e descrito em pormenores nas instruções que Deus deu a Moisés (Êx 28.6-14, 22-28). Esta vestimenta não era usada diariamente, mas apenas em ocasiões especificas: quando era necessário consultar ao Senhor, juntamente com o peitoral de Urim e Tumim (Nm 27.21; 1Sm 28.6; Esd 2.63); no Dia da Expiação, após apresentar as ofertas pelo pecado, ele tirava as roupas brancas e vestia as vestimentas coloridas, incluindo o Éfode, para oferecer as ofertas queimadas (Lv 16.23-25). Gideão (Jz 8.27) e um tal efraimita (Jz captos 17 e 18) fizeram éfodes de ouro, mas redundaram em idolatria e juízo de Deus sobre eles, ainda que Gideão em si não o adorou, mas seus descendentes.
Escribas: A palavra escriba no hebraico, grego e outras línguas adquiriu um leque significado ao longo do tempo, mormente identificando vários papéis sociais. O equivalente mais próximo de nosso português é o termo "secretário", que se refere aquele funcionário de gabinete nos mais diversos níveis de governo. Tanto no uso semita como no grego, o escriba era comumente um funcionário do governo de nível médio, por exemplo, um "secretário" encarregado do Conselho da cidade (Atos 19:35).
Essênios: fazem parte das seitas judaicas no período neotestamentários. Seu diferencial era a ênfase apocalíptica, o severo asceticismo e sua obediência à literalidade da Lei (Torá) de Moisés. Formaram uma comunidade separada na região de Qumran próximo do Mar Morto. Tudo leva a confirmar que foram eles que preservaram os chamados Manuscritos do Mar Morto, que têm atestado a veracidade histórica dos escritos do Antigo Testamento.
Evangelho: é um termo grego que significa “boas novas” e que foi amplamente utilizada pelos cristãos de forma geral e posteriormente pelos escritos neotestamentários, para comunicarem os fatos concernentes à vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo (cf. Paulo em 1Co 15.1-8). Com o passar do tempo tornou-se sinônimo dos quatro primeiros livros, bem como de todo o conjunto do Novo Testamento.
Evangelhos sinóticos: o termo “sinótico” significa “visão compartilhada” e foi aplicada aos três primeiros evangelhos do NT porque compartilham de materiais semelhantes e se utilizam de um esquema literário comum. Todavia, cada um deles conservou sua própria ótica pessoal, de maneira que não são simples cópias. O quarto evangelho, de João, utiliza fontes e esquema distinto.

Família - Na Bíblia, esta palavra geralmente significava o clã ou grupo de parentesco estendido, incluindo não só os pais, crianças, tias e tios e primos, etc, mas também as pessoas que trabalhavam com e para o grupo e suas famílias.  Uma "família" poderia muito facilmente incluir até duas centenas de pessoas ou apenas dez, dependendo do status e renda do grupo. No Antigo Testamento se utiliza a expressão “eu e minha casa” onde se têm essa ideia de família mais abrangente.
Fariseus: O termo significa “separados” e se constituíam em outro grupo religioso distinto dentro do judaísmo (cf. essênios). Aparecem muitas vezes nas narrativas evangélicas e eram ferrenhos defensores da Torá (Lei) escrita e das leis desenvolvidas nas tradições advindas das interpretações da Torá. Criam nas doutrinas básicas do judaísmo, como a providência divina, a ressurreição dos mortos, atividades angelicais. Foram sistematicamente opositores de Jesus e sua mensagem evangélica, de modo que, perseguiram fortemente os primeiros discípulos, participando ativamente no apedrejamento do diácono Estevão. Apesar de não serem números, aproximadamente seis mil na Palestina, exerciam forte influência na sociedade judaica antes e durante o período neotestamentário.  
Ferezeus: Um povo da região de Canaã, também descendentes de Cam, filho de Noé. Nos dias de Salomão foram obrigados a servirem como mão de obra escrava.
Filisteus: eram um dos chamados "povos do mar". Entre 1200 e 1000AC os povos do mar invadiram Egito e Canaã. Eles tinham exércitos bem disciplinados e armas de ferro superior. Eles tentaram invadir o Egito, mas Ramsés III (1198-1167BC) os expulsou. Eles encontraram menos resistência em Canaã, e se estabeleceram ao longo de toda a costa do sudoeste do Neguebe e Sefalá (Vale de Sarom), atualmente o território entre a moderna Tel-Aviv e Gaza. Eles construíram cinco grandes cidades-estados, Gaza, Asdobe, Asquelom, Gate e Ecrom. Embora nunca tenham ocupado toda a terra, deram seu nome à Palestina. Quando os israelitas tomaram assento na região de Canaã os filisteus foram sempre perigosos inimigos e salteadores, conforme registros no livro de Juízes. 
Girgaseus: Era um povo extremamente belicoso para com todos os demais povos, durante a conquista israelitas resistiram de forma consistente às investidas de Josué.

Go'el - A palavra go'el é muitas vezes traduzida como “parente próximo”, mas significa mais do que isso. Um go'el era um parente próximo que tinha o dever de cuidar da família e dos bens daquele parente que morrera, para isso deveria se casar com a viúva (Deuteronômio 25), mas não podia ser coagido a assumir esse papel. Rute conhece Boaz, seu go'el. 
Haggadah [Agadá]: refere-se ao material não-legal produzida pelos rabinos encontrado no Talmude. Esses princípios não se revestiam de tanta autoridade quanto os de outras fontes didáticas religiosas da época. É constituida de folclore, narrativas, lendas, parábolas, interpretações alegóricas e também abrange as ciências, tais como filosofia, medicina, matemática, astronomia e teologia.
Halakhah: refere-se ao material legal (Lei) do Talmude que se referem à conduta e modo de vida dos judeus conforme interpretadas pelos rabinos.
Hasideano: era aqueles judeus piedosos que jamais renegaram sua fé, mesmo diante do martírio, durante o período de perseguição promovida por Antíoco IV, Epifânio, no segundo século a.C. (cf 1Mb 2.41).
Hebraísmo: são palavras e expressões peculiares do idioma hebraico que não encontram correspondentes em outros idiomas (português) e por isso são transcritos de forma literal. Exemplos do hebraísmo na versão portuguesa da nossa bíblia: aleluia, amém, bálsamo, éden, fariseu, hosana, jubileu, maná, páscoa, querubim, rabino, sábado, e muitos outros. Em nossa língua portuguesa temos uma palavra que não tem correspondentes em outros idiomas: saudade e somente nós entendemos o seu significado, sem necessidade de ser explicado.
Hebreus - Até o período de assentamento em Canaã, os descendentes de Abraão são chamados de "hebreus". Posteriormente quando se estabeleceram em Canaã, passaram a serem chamados de "israelitas".   
Helenismo: Processo de aculturamento grego iniciado durante as conquistas promovidas por Alexandre o Grande no século quatro a.C., em que os povos conquistados acabaram adotando os conceitos e o modo de vida dos gregos. Mesmo depois da morte precoce do jovem conquistar o processo permaneceu tão forte que é chamado de “a era helenística”. Todo o pano de fundo neotestamentário, incluindo os escritos bíblicos do NT, estão dentro desse processo político-cultural-religioso.
Herodianos: um partido político-religioso que tinha como objetivo manter a dinastia de Herodes no poder, nos dias de Jesus. Teologicamente se assemelhavam aos saduceus, mas não tinham pudor em se aliar aos fariseus para desacreditarem Jesus, como por exemplo na questão envolvendo o pagamento dos tributos ao Império Romano (Mt 22.16; Mc 12.13). Foi um dos primeiros segmento judaico a tramar a morte de Jesus (Mc 3.6).
Heteus: Eram chamados de filhos de Hete, e se estabeleceram do norte da Palestina ao Rio Eufrates e se constituiam de pequenas colônias do império da Ásia Menor denominados pelos assírios de "Khatti".
Heveus: Estavam estabelecidos em varias partes de Canaã setentrional, central e meridional, antes da conquista dos israelitas. Também descendentes de Cam, todavia havia uma mistura entre os amorreus e cananeus.  
Héxapla: do grego sêxtuplo, uma obra crítico-textual produzida por Orígenes próximo de 220 d.C., onde ele coloca seis versões do Antigo testamento em forma de colunas paralelas: (1) o texto hebraico; (2) uma transliteração grega; (3) a tradução de Áquila; (4) a tradução de Símaco; (5) a Septuaginta e (6) Teodocião.
Ignácio: (105 d.C.) Bispo da igreja de Antioquia e discípulo pessoal do Apostolo João. Foi executado para o fim do primeiro século. Em seus escritos há muitas referências aos diversos livros que compõe o Novo Testamento.
Irineu: (120-205 d.C.) - Foi discípulo de Policarpo, que por sua vez fora discípulo do Apostolo João, de modo que Irineu se constituiu em elo importante com a época dos Apóstolos. Foi martirizado cerca do ano 200. Em seus escritos há muitas referências aos diversos livros que compõe o Novo Testamento.
Isagoge: palavra grega que significa "trazer ou levar para dentro", equivalente da palavra "introdução" (latim introducere). É a disciplina que trata dos assuntos preliminares ao estudo e interpretação da Bíblia (contexto: linguístico, integridade e transmissão do texto,  histórico, cultural, autoria, data, destinatário).

Israelitas – Após saírem do Egito e se estabeleceram em Canaã os descendentes de Jacó (12 tribos) passaram a serem chamados de "israelitas" em decorrência do novo nome que Jacó havia recebido de Deus (Israel). Depois do período do exílio em Babilônia, os israelitas passaram a serem chamados de "judeus". Eles derivaram das duas tribos do reino de Judá, e seus descendentes.
Jebuseus: Descendentes de Jebus, filho de Canaã e viviam em colônias ao redor de Jerusalém, se constituindo em uma forte e aguerrida tribo de maneira que conservou sua forte cidadela até os tempos de Davi.
Judaísmo: abrange todo o sistema religioso judaico, suas crenças e conceitos teológicos, a ética e leis sociais derivadas dos textos do Antigo Testamento, bem como do Talmude. O surgimento desse sistema religioso tem suas origens no Cativeiro Babilônico-Persa (586-539 a.C.). Hoje os estudiosos falam de “judaísmos” por causa da pluralidade de formas, até mesmo divergentes, que ele foi produzindo ao longo do tempo. O judaísmo e o helenismo se constituem no contexto histórico do ministério de Jesus e do cristianismo primitivo.
Judaizantes: eram judeus que haviam adotado o cristianismo, mas que desejavam manter as tradições do judaísmo, incluindo a circuncisão e a observação da Lei de Moisés como necessário para a salvação. Por causa disso, tornaram-se opositores do apóstolo Paulo que defendia um cristianismo livre para os gentios. A questão somente foi resolvida no chamado Concílio de Jerusalém, por volta do ano 50 d.C., quando as teses de Paulo e Barnabé prevaleceram sobre a proposta judaizante (Atos 15.1-21).
Justino Mártir: (110-165 d.C.) Filósofo que após sua conversão ao cristianismo tornou-se um dos mais ardorosos defensores diante das autoridades romanas. Afirmava que o cristianismo era a única filosofia verdadeira e valiosa. Por suas pregações e escritos converteu a muitos romanos à fé cristã, tanto cultos como incultos. Escolheu ser martirizado (165 d.C.) à negar sua fé em Cristo, durante o reinado de Marco Aurélio. Depois de sua morte, foi conhecido por muitos como Justino o mártir.
Kerigma: significa “proclamação” ou em nossos dias “pregação”, que incluía o conteúdo da mensagem cristã apostólica. Lucas no livro de Atos registra pequenos extratos ou esboços dessa pregação com ênfase na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. O kerigma também serviu de espinha dorsal, principalmente, dos evangelhos sinóticos.
Lamed: [ l] é a  12ª letra do alfabeto hebraico, correspondendo à letra grega lambda [ l ] e a nossa letra "L" portuguesa. Seu significado é "aguilhão" utilizado para conduzir bois, indicando-lhe o caminho, de maneira que têm um sentido pedagógico de ensinar (lamed) que é o nome próprio da letra. No salmo 119 (acróstico) inicia os versos 89 a 96. Essa  letra compõe também a palavra "El" [deus] no sentido genérico. 
Lamentações [livro de): normalmente agregado ao livro do profeta Jeremias e narra o sofrimento que adveio à cidade e moradores de Jerusalém quando os exércitos babilônicos de Nabucodonosor tomaram a cidade no ano 586 a.C.
Láquis (cartas de): um conjunto de vinte cartas escritas em hebraico antigo, datadas de 589 a.C., que foram encontradas em escavações arqueológicas no oriente nos anos de 1935 a 1938. Oferece informações importantes sobre o contexto político-social de Judá durante o cerco dos exércitos babilônicos de Nabucodonosor (587 a.C.) no período do profeta Jeremias. Seu autor, Hosaías,  estava em um posto militar avançado e escreve pára um homem chamado Joás, provavelmente um oficial em Láquis. 
Lei [Torá]: o uso desse termo é amplo no Novo Testamento. Inclui os princípios legais e morais contidos no Antigo Testamento (Jo 7.19); pode se referir ao padrão que deve ser adotado pelos cristãos (Rm 7.23, 25; Tg 2.12) ou simplesmente se referir as regras judaicas de forma geral (Atos 25.8).
Levirato: é uma derivação do termo latino "levir" (cunhado), relativo à tradição bíblica hebraica de que um israelita casado viesse a morrer antes de gerar um filho, o parente mais próximo, solteiro, deveria se casar com a viúva, gerando um filho que manteria o nome do falecido, inclusive tornando-se seu herdeiro legal. O livro de Rute ilustra de forma prática esta tradição.
Levitas: descendentes da tribo de Levi, filho de Jacó, dos quais descendem os sacerdotes que haveriam de se ocupar de tudo que se relacionasse ao culto e ao templo. Essa tribo tornou-se representante das doze tribos diante do Senhor. Eram divididos em três classes: o Sumo sacerdote, os sacerdotes e os levitas, de maneira que todos os sacerdotes tinham que ser levitas, mas nem todos os levitas exerceram o oficio de sacerdotes.
Levítico: terceiro livro da Bíblia Hebraica/Cristã, que trata sobre a questão do culto e da comunhão com Deus. Não é um manual especifico para os sacerdotes, mas para todo o povo israelita.
Literatura de Sabedoria: é a classificação dada para alguns livros do Antigo Testamento (Provérbios, Eclesiastes e Jó) bem como alguns salmos, que registram a sabedoria vivencial dos israelitas em seu relacionamento com Deus e familiar-social.
Lugares Altos: do hebraico (bamah - elevação, santuário) comum entre as religiões cananitas e os povos semitas. A conexão entre divindades e as montanhas eram comum nas religiões de forma geral. Os profetas bíblicos sempre condenaram israelitas por buscarem esse lugares altos (idólatras) e deixarem o Deus verdadeiros.
Macabeus: significa “martelo” e nome dado a Judas, o filho de Matatias. Foi o líder das batalhas contra os exércitos sírios cerca de 167 a.C.  Foi sua família, os Asmoneus, que governaram (reinaram) sobre Judá até a ocupação da Palestina pelos romanos em 63 a.C.
Massoretas: Estudiosos gramáticos hebreus, do quinto ao décimo séculos d.C., que pelo uso do “Masorá” (anotações referentes aos textos hebraicos) foram responsáveis pela preservação do texto bíblico, copilando e preparando o texto com sinais fixos de vogal (havia apenas as consoantes) e acentos, números de letras e espaçamento, de maneira que se preservou as pronuncias adequadas possibilitando que pudesse continuar a ser utilizada ainda hoje, visto que a língua hebraica estava se tornando uma língua morta. O auge da atividade dos massoretas foi a primeira metade do século X, com os trabalhos das famílias Ben Asher e Bem Naftali, ambas de Tiberíades, na Palestina e no Oriente também surgiu outro grupo de massoretas e de sistemas massoréticos localizados na Babilônia. Foram então estabelecidos três sistemas de vocalização, de acentuação e de observações textuais: babilônico, palestino e tiberiense.
Messias: esse nome de origem hebraica significa “ungido” e no Antigo Testamento está vinculado fortemente com a figura messiânica. A mensagem profética anunciava a vinda do que haveria de restaurar o reino de Israel (Sl 110; Dn 9.25,26). Jesus Cristo abertamente assume esse papel e os relatos neotestamentários demonstram que Ele cumpre as profecias que inauguram o reino de Deus (Mt 16.13-20; Atos 17.3). No grego a tradução é “Cristo” e tornou-se nome próprio agregado a Jesus (cf. Gl 3.14,16,17,22, 24 e 26).
Midrash: é a interpretação exegética judaica dos textos da Torá (Antigo Testamento); há duas temáticas desta interpretação - a Halakhah e a haggadah.

Mikveh - é um recipiente de banho ritual concebido para o rito judaico de purificação. O mikveh não é meramente um reservatório de água; deve conter uma certa percentagem de água derivada de uma fonte natural, como um lago, um oceano ou a chuva. Tanto os homens como as mulheres usaram o mikveh para a purificação ritual, mas sempre teve um significado especial para as mulheres judias. Lei judaica prescreve que as mulheres mergulham nas águas do mikveh seguindo seus períodos menstruais ou após o parto, a fim de tornar-se ritualmente pura e permissão para retomar a atividade sexual. Em relação às mulheres o livro de Levítico declara que uma mulher (judia) seria ritualmente impura durante sete dias durante seu fluxo menstrual, durante o qual o contato sexual era proibido.
Moabitas: São os descendentes de Ló, sobrinho de Abraão, com sua relação incestuosa com sua filha primogênita. Dominavam as regiões da Transjordânia sendo subdivididos em três partes - a terra de Moabe, o campo de Moabe e as campinas de Moabe.

Nômade - Um termo usado para descrever grupos de pessoas que seguiam com seus rebanhos de animais de pasto a pasto, de acordo com as estações e condições que lhes fossem mais favoráveis. Abraão, Isaque e Jacó foram nômades. 
Obadias: Quarto dos doze profetas menores. O livro da Bíblia que contém sua profecia consiste num único capítulo. Seu objetivo é revelar o juízo de Deus sobre Edom que no momento em que os judeus foram atacados, não apenas se recusaram a ajudá-los, mas cooperaram com os exércitos inimigos.
Parashás: do hebraico "seção" constituindo os textos selecionados para leitura semanal da Torá, que segundo o sistema ou ciclo babilônico, possibilita a leitura total da bíblia hebraica no período de um ano.
Paz Romana (Pax Romana): refere-se ao período de governo do Império Romano, que perdurou por trezentos anos, tendo iniciado no primeiro século a.C. Essa estabilização política-econômica-social, onde foram abolidas as fronteiras étnicas, foi um dos fatores preponderantes para a rápida expansão do cristianismo por todo o Império Romano, no Mediterrâneo.
Pentateuco: do grego "livro em cinco rolos", que designa academicamente o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica/Cristã, tendo com autor Moisés. No judaísmo é denominado de Torá (instrução, lei). 
Pentateuco Samaritano: a versão independente do texto hebraico do Pentateuco produzida pelos samaritanos, que no final do século II a.C. havia se separado definitivamente do judaísmo proveniente de Jerusalém. Os samaritanos não reconhecem as demais literaturas da bíblia judaica como inspiradas (Escritos e Proféticos).
Perícope: do grego "recortado" refere-se a uma seção (parágrafo) de texto delimitada a partir de seu conteúdo. Por causa da divisão do texto bíblico em versículos, muitas vezes dificulta a identificação de uma perícope textual.
Pesher: do hebraico "explicação" referindo-se ao tipo de comentário bíblico hebraico verso a verso, muito empregado nos textos da comunidade de Qumran, dos textos proféticos, relacionando-os aos acontecimentos contemporâneos.
Peshita: do siríaco "a simples ou difundida" referindo-se à tradução do Antigo Testamento hebraico e se constitui em importante testemunho da integridade textual.
Pictográfica: a primeira forma de escrita, que utilizava desenho das coisas que desejavam exprimir. 
Poliglota: do grego "muitas línguas" e se refere à Edição bíblica em que se coloca em colunas paralelas ao lado do texto hebraico outras traduções, possibilitando um exame mais amplo dessas traduções em relação ao texto hebraico. 
Ptolomeus: descendência de Ptolomeu I, um dos generais que governou o Egito de 323 a 30 a.C., após a morte de Alexandre o Grande. Foi vencido pelos exércitos do poderoso Império Romano. Eles alternaram com os selêucidas o domínio sobre a Palestina durante o segundo século a.C.
Rabi: significa “mestre” ou “senhor” e identificava a pessoa que tinham profundo conhecimento da Lei de Moisés (Torá) e, portanto, qualificado para ensiná-la. Havia várias escolas rabínicas já nos dias de Jesus. Ele foi assim chamado (Mt 26.25; Mc 11.21; Jo 3.2), mas alerta seus discípulos quanto a se buscar tais títulos para engrandecimento pessoal (Mt 23.7,8). E Lucas registra que Saulo de Tarso (ap. Paulo) estudou aos cuidados de Gamaliel um dos mais respeitados Rabi dos seus dias.
Recensão: do latim "exame" é uma revisão da Septuaginta que parte da mesma base textual e corrige a Septuaginta tornando-a mais fiel ao original.
Refaíns: Eram chamados e conhecidos também por anaquins e emins, e apesar de habitarem as regiões ao lado do rio Jordão e Hebrom, não possuíam nenhum parentesco com Canaã. 
Sabbath [Sábado]: o dia que Deus separou para o descanso e reflexão sobre a Aliança estabelecida com Israel (Êx 20.8-11 e reafirmada em Dt 5.12-15). Todavia, Jesus alerta para o perigo da idolatria do Sábado, pois ele foi estabelecido para o bem do ser humano e não para escraviza-lo (Mc 2.23.28). O autor de Hebreus interpreta o Sabbath como sendo um prenuncio do descanso celestial eterno (Hb 4.9-11). O cristianismo primitivo optou pelo primeiro dia da semana (domingo) devido ao fato de que Jesus (a Nova Aliança) ressuscitou neste dia.
Sacerdotes: são aquelas pessoas ordenadas (ungidas) para realizarem rituais de sacrifícios e exercerem a função de intercessores diante de Deus, em um lugar especifico de adoração. Nos dias de Jesus este local era o Templo de Jerusalém. A mensagem evangélica de Jesus suplantava o sistema sacrificial vigente (Mt 24.1,2) o que lhe trouxe a inimizade e ódio dos sacerdotes e demais que orbitavam ao redor do Templo. O cristianismo primitivo defendia ardorosamente o “sacerdócio real”, ou seja, todo cristão é um sacerdote diante de Deus (1Pe 2.9), uma vez que seu corpo se torna templo vivo com a habitação do Espírito Santo (1Co 6.9) e cada em cada culto suas vidas tornam-se um aroma agradável “como sacrifício aceitável e aprazível a Deus” (Fp 4.18). Assim, todo e qualquer cristão pode fazer súplicas, orações e intercessões por ele mesmo, como também, por outras pessoas (1Tm 2.1). Este princípio foi se perdendo na História da Igreja, sendo resgatado tão somente no século XVI na chamada Reforma Religiosa e/ou Reforma Protestante, como um de seus pilares fundamentais.
Saduceus: mais um dos grupos religiosos do judaísmo que atuavam nos dias de Jesus. Faziam era formado basicamente pela classe sacerdotal e tinham no Templo seu referencial maior. Utilizavam praticamente o Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica/Cristã), visto que a literatura profética notadamente é crítica do sistema sacerdotal. Opostamente aos fariseus, rejeitavam os conceitos de anjos, vida após a morte (ressurreição do corpo) e a providência divina.
Sedarim: do hebraico "séries" formada por perícopes ou paragrafos da Torá selecionados para serem lidos a cada semana, de maneira que segundo o ciclo palestino, toda a Torá seja lida no período de três anos.
Selêucidas: Após a morte de Alexandre o Grande, o seu general Seleuco tornou-se governador da Síria de 312 a.C. até o domínio dos romanos. A cidade de Antioquia tornou-se a capital dos selêucidas e dominaram sobre a Palestina no segundo século antes de Cristo. Foi no período deles que os Macabeus se revoltaram e derrotaram os exércitos de Antíoco IV.
Semitismo: é a tradução literal de uma palavra ou expressão dos povos semitas (descendentes de Sem, filho de Noé): babilônios, assírios, sírios, árabes e israelitas/judeus. Um numero expressivo de semitismo ocorre na literatura do Novo Testamento, e nas versões da bíblia em português.
Septuaginta [LXX]: foi a primeira tradução da Bíblia Hebraica para uma outra língua, no caso, o grego. Foi realizada no período de 250 a.C., sendo amplamente utilizada pelos judeus da diáspora que estavam perdendo o contato com a língua materna. É conhecida também pelo nome de “Setenta” abreviada pelos algarismos romanos LXX. No cristianismo primitivo foi fundamental para comunicar a mensagem evangélica tanto aos judeus quanto aos gentios.
Símaco [σ´]: tradução a partir do latim do Antigo Testamento para o grego, dentro do estilo da prosa literária grego-romana, cujo o autor seria Símaco (170 d.C.) e também incluída na quarta coluna da Héxapla.
Sinagoga: após a destruição do Templo quando da terceira e última invasão babilônica (587 a.C.), quando mais uma leva de judeus foram levados cativos, criou-se a necessidade de um lugar especifico para o exercício religioso judaico. A Sinagoga prolifera no chamado período inter-testamentário, aproximadamente 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamento. Era na Sinagoga que os judeus se reunião para o estudo da Torá, a adoração e também onde tratavam de suas questões sociais sempre à luz do ensino da Lei de Moisés. Após o regresso dos cativos e a reconstrução do Templo em Jerusalém, as sinagogas continuaram a serem utilizadas, até mesmo no território da Palestina e Jerusalém. Elas se espalhavam por todo o Mediterrâneo durante o Império Romano, e foram amplamente utilizadas por Paulo e os cristãos primitivos como ponto inicial de suas pregações evangélicas. A liturgia cristã tomou como referencial os cultos realizados nas Sinagogas. Diferentemente do Templo qualquer pessoa podia participar, incluindo as mulheres e estrangeiros e nelas não eram (são) oferecidos sacrifícios. 
Sincretismo religioso: quando diferentes religiões se amalgamam. Sempre houve esse tipo de movimento religioso, porém, foi no helenismo que ele se tornou popular. Durante o reinado grego as religiões dos povos dominados foram se amoldando à religião grega. Isto ocorreu também no catolicismo brasileiro, onde as religiões indígenas e africanas se adaptaram às expressões litúrgicas do catolicismo português.
Sinédrio: este era o órgão religioso maior dentro do judaísmo neotestamentário. Ele se formou aproximadamente no quarto século a.C., e nos dias de Jesus era composto por setenta e um membros, sendo distribuídos por três classes: o sumo sacerdote atual, os anciãos e os escribas. Mesmo subordinados ao Império Romano eles mantiveram autoridade para regerem sobre as questões religiosas, mediante aplicação das leis judaica, e suas sentenças, podendo chegar à pena capital, eram definitivas. Tanto Jesus (Mt 26.59), quanto o diácono Estevão (Atos 6.12-15) foram condenados pelo conselho do Sinédrio. Também compareceram diante desse conselho Pedro e João (Atos 4.5-21) onde foram proibidos de falarem sobre Jesus, e o apóstolo Paulo (Atos 22.30-23.1), que não foi condenado à morte, porque apelou para sua cidadania romana e teve que ser enviado à Roma. Após a destruição de Jerusalém (70 d.C.) perdeu sua função.
Sitz im Leben: expressão alemã que significa “fazer cenário de vida”, utilizada pela escola da crítica da forma para tentar estabelecer o contexto histórico de determinado livro da bíblia ou determinado registro neles contidos.  
Talmude: é a compilação de tradições judaicas que moldaram a vida e o pensamento judaico. Foi desenvolvido ao longo da história dos judeus e foram duas coleções especificas – a palestina e a babilônica, ao final dos séculos quatro e cinco d.C. A babilônica é a mais completa e ambas estão divididas basicamente em duas partes: o Midrash, que são as interpretações da Lei (Torá) e a Gemara, comentário da Mishnah.
Tanakh: Essa palavra é um acrônico composto das iniciais das três principais divisões da Bíblia hebraica: Torah (a "Lei", o nosso Pentateuco), Nevi'im (Profetas) e K'tuvim (Escritos).
Targum: é a livre tradução do texto da Bíblia Hebraica feita para o aramaico, tendo inicio no período pós-cativeiro (inicio 586 - fim 538), quando os judeus haviam perdido o contato com a língua pátria. Foi o aramaico, língua contendo a mesma raiz do hebraico, amplamente utilizada pelos povos do Oriente Médio, que substituiu o hebraico no cotidiano dos judeus no período inter-testamentário e neotestamentário. Por um tempo era apenas oral, mas posteriormente começaram a serem escritas e preservadas. Nenhum dos Targum abrange todos os textos do AT. Os mais importantes são: Targum de Onkelos; Targum de Jonathan Bem Uziel. A relevância deles esta em atestar muitos textos originais e indicar o tipo de exegese judaica da época, ou seja, como eles interpretavam os textos bíblicos.Essas traduções se constituem ainda hoje em fontes importantes para atestarem a veracidade dos textos hebraicos.
Templo [Jerusalém]: foi desde quando construído por Salomão o centro religioso de toda história Israelita. Sua reconstrução após o retorno do Cativeiro Babilônico foi o marco fundamental, mas somente nos dias de Herodes, o Grande, ele foi restaurado em sua riqueza e beleza como semelhante nos dias iniciais. Tornou-se o centro nevrálgico do judaísmo nos dias de Jesus e a influência do Sumo-Sacerdote extrapolou em muito o espaço religioso e tornou-se proeminentemente político-econômico. Jesus, diante da admiração de seus discípulos, profetiza que aquele Templo tão suntuoso, mas vazio de Deus, seria destruído e não ficaria pedra sobre pedra, o que veio a ocorrer na década de 70 d.C. pelo exército romano, após mais uma rebelião dos judeus.
Torá: essa palavra muitas vezes é interpretada com apenas um de seus sentidos – Lei – empobrecendo seu valor. Além de “lei” ela tem o sentido de “orientação” e “instrução ou ensinamento”, o que a torna muito mais abrangente e rica. Inicialmente se referia ao Pentateuco, mas no transcorrer da formação final do cânon hebraico, passou a ser referência ao conjunto total dos livros do Antigo Testamento. Toda a vida religiosa e social dos judeus está fundamentada na Torá. Ela está subdividida em três partes: o Pentateuco e/ou cinco livros de Moisés; os Profetas e os Escritos. Foi a bíblia de Jesus e dos cristãos primitivos e somente no quarto século d.C., com a efetivação do cânon cristão, ambos foram unificados e tornaram-se a Bíblia cristã.
Tradição: são todos aqueles ensinamentos religiosos paralelos aos textos canônicos, que são elevados à mesma categoria de regra de fé e prática. As grandes discussões de Jesus com os fariseus estavam nas questões das tradições aguerridamente defendidas por eles, mas que conforme Jesus estavam equivocadas em relação à Torá. O cristianismo católico romano também constituiu sua tradição paralela aos ensinos bíblicos, que foi um dos motivos que levaram à Reforma Religiosa do século XVI.
Tradição oral: são as tradições (histórias) de um grupo étnico ou religioso que são passadas às outras gerações de forma verbal, sem registro escrito. Nos dias dos patriarcas bíblicos (Abraão, Isaque e Jacó) como também nos de Jó, era o único meio de preservação da revelação divina. Somente com Moisés passou-se a registrar esta revelação de forma escrita, dando origem à Torá. No cristianismo primitivo o período de tradição oral foi relativamente curto, visto que entre os anos 33 e 70 d.C. quase toda literatura neotestamentária já está circulando entre suas comunidades, ainda que o cânon fosse completamente estabelecido apenas no século quarto.
Uncial: é a forma que os críticos textuais identificam um grande numero de manuscritos gregos da Bíblia, por serem utilizadas letras grandes, igualmente desenhadas à semelhança das letras maiúsculas. Esses manuscritos unciais são datados pelos séculos terceiro até o nono d.C.
Via Egnatia: se constitui na maior estrada comercial construída nos tempos antigos. Era a grande rota comercial dos dias romano, ligando o Leste e o Oeste. Além do comercio era também utilizada para rápido deslocamento de exércitos, quando não era viável a via marítima. Inúmeras cidades foram construídas ou valorizadas (ex. Filipos) pela proximidade desta grande artéria viária. Uma das estratégias missionária de Paulo foi alcançar estas cidades à beira desta rota comercial, além do que viajar por ela era a forma mais segura naqueles dias.
Vetus Latina: tradução do AT para o latim ao redor de 150 A.D. Foi feita a partir da Septuaginta (LXX) versão grega, e a segue fielmente, inclusive em seus equívocos linguísticos e na formatação com a inclusão dos apócrifos. Tertuliano, Cipriano, Agostinho utilizaram está versão latina.
Vulgata [Latina]: derivado do latim “vulgatus”, que se traduz “comum e/ou popular”. Mais especificamente se refere à tradução feita por Jerônimo (383-405 d.C.), no final do século quarto, que por mais de mil anos (domínio do latim) se constituiu na Bíblia do mundo Ocidental. Ela acabou por ofuscar completamente a Septuaginta, versão grega do AT hebraico, bem como toda literatura bíblica em grego do NT. Essa situação somente mudará com o período da Renascença e os chamados Humanistas, que resgataram os textos originais da Bíblia para seus estudos e traduções. Tem importância histórica e crítica, se constituindo na versão oficial da Igreja Católica Romana, e sendo sempre uma obra muito aclamada.
Zelotes: o grupo religioso-político mais radical do judaísmo no período neotestamentário. Eram nacionalistas extremados que rejeitavam qualquer influência helenística no judaísmo e defendiam até mesmo a rebelião armada contra o Império Romano. Eles contribuíram em muito para o levante judaico, durante os anos sessenta e seis a setenta d.C., que acabou gerando a destruição completa da cidade de Jerusalém, pelo general romano Tito, que viria depois a ser constituído imperador. Entre aqueles que Jesus chamou para formar o grupo apostólico havia Simão, denominado de Zelote (Mc 3.18, Atos 1.13).
  
Me. IPG
Jan/2016